O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou nesta segunda-feira que Washington continua apostando na diplomacia e que os EUA preferem alcançar “um bom acordo” em vez de aceitar uma solução precipitada. Segundo ele, existe atualmente uma proposta “sólida” sobre a mesa, mas o governo americano está disposto a explorar outras alternativas caso as negociações fracassem. Trump reforçou esse posicionamento ao declarar que o eventual acordo “será ótimo e significativo, ou não haverá acordo”.
As tratativas vêm acontecendo em meio a uma intensa movimentação diplomática internacional. Os principais negociadores iranianos, entre eles o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, e o chanceler Abbas Araghchi, chegaram a Doha, no Catar, país que passou a desempenhar papel central na mediação do conflito, ao lado do Paquistão. O objetivo é construir um memorando de entendimento que permita um cessar-fogo e abra caminho para um acordo de paz mais amplo.
Entre os principais temas em discussão estão a reabertura do Estreito de Ormuz — uma das rotas marítimas mais importantes do mundo para o transporte de petróleo — e as garantias exigidas pelos Estados Unidos de que o Irã não desenvolverá armas nucleares. Segundo autoridades americanas ouvidas pela NBC News, o possível acordo obrigaria Teerã a abandonar o enriquecimento avançado de urânio, chamado por Trump de “poeira nuclear”, enquanto novas negociações ocorreriam ao longo de um prazo de 60 dias para definir os detalhes técnicos e políticos do entendimento.
Em troca, os Estados Unidos poderiam suspender gradualmente o bloqueio naval e aliviar sanções econômicas que atingem duramente a economia iraniana. O acordo também incluiria medidas para desminagem e retomada segura da navegação no Estreito de Ormuz, cuja interrupção parcial provocou forte instabilidade nos mercados globais de energia nas últimas semanas.
Mesmo assim, o governo iraniano demonstrou cautela. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmail Baghaei, afirmou que houve avanços em várias áreas das negociações, mas ressaltou que isso não significa que um acordo esteja prestes a ser assinado. Segundo ele, o foco principal neste momento continua sendo o encerramento da guerra, e não necessariamente os detalhes do programa nuclear iraniano.
O cenário político nos Estados Unidos também adiciona pressão às negociações. Parlamentares republicanos mais conservadores criticaram a possibilidade de um acordo e alertaram que ele poderia representar um “erro desastroso”. Trump reagiu às críticas atacando opositores e defendendo que apenas sua administração seria capaz de alcançar uma solução eficaz para o conflito.
O prazo de 60 dias previsto na proposta pode prolongar o conflito até o segundo semestre, coincidindo com o período eleitoral americano e aumentando a pressão sobre Trump, já que parte do eleitorado republicano deseja uma solução rápida para uma guerra que vem afetando os índices de aprovação do partido.
Além da questão nuclear e da navegação marítima, o conflito regional também influencia diretamente as negociações. O Irã insiste que qualquer entendimento inclua o fim dos ataques israelenses no Líbano, onde Israel afirma combater o Hezbollah, grupo apoiado por Teerã. Segundo autoridades iranianas, o Líbano deverá ser incluído em qualquer memorando de entendimento final.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que concorda com Trump sobre a necessidade de eliminar completamente o risco nuclear iraniano. Em conversa telefônica realizada no sábado, os dois líderes também discutiram a situação no Líbano e o direito de Israel de continuar se defendendo contra ameaças regionais.
Enquanto as negociações seguem sem definição, os mercados financeiros reagiram positivamente à possibilidade de um acordo. Os preços internacionais do petróleo caíram mais de US$ 5 nesta segunda-feira, atingindo os menores níveis em duas semanas, impulsionados pelo otimismo de investidores em relação a uma possível redução das tensões no Oriente Médio.

