Brasília, 10/03/2026

Tarifas, ataques e cortes: o polêmico semestre de Trump em seu retorno ao poder

Donald Trump marca seis meses desde seu retorno à Casa Branca no domingo, um início de seu segundo mandato marcado por protecionismo comercial, imigração mais dura, medidas legislativas divisivas e uma crise inesperada em sua base até então leal, descontente com o tratamento do chamado caso Epstein.

“Um ano atrás, éramos um país morto e agora somos a nação mais próspera do mundo”, disse Trump esta semana.

Pulso tarifário com seus aliados

Trump impôs tarifas globais de 10% em abril e anunciou, e depois interrompeu, taxas “recíprocas” para reduzir o déficit comercial com seus parceiros, a quem deu como prazo inicial de 9 de julho para negociar acordos, margem que depois estendeu definitivamente até 1º de agosto.

Durante essa trégua, os EUA só fizeram pactos com o Reino Unido, Vietnã, Indonésia e China. Este último foi um acordo temporário que reduziu as tarifas dos EUA de 145% para 30% as taxas chinesas de 125% para 10% enquanto as negociações continuam.

Quando não foram alcançados mais acordos, o presidente enviou cartas notificando tarifas entre 20% e 40% para dezenas de países, incluindo seus vizinhos México (30%) e Canadá (35%). O Brasil foi ameaçado com 50% pelo julgamento de seu aliado, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

As negociações com a União Europeia continuam, embora Trump insista que a taxa de 30% anunciada em Bruxelas já foi decidida.

Recuo internacional e tensões diplomáticas

Neste primeiro semestre do ano, o governo Trump ordenou milhões de dólares em cortes na ajuda internacional e exigiu de seus aliados da OTAN um aumento de 2% a 5% nas alocações que os aliados dedicam à defesa.

Ele também insistiu em acordos de paz na Ucrânia, com a recente pressão sobre o presidente russo, Vladimir Putin, e uma resolução para o conflito israelense em Gaza, mantendo seu forte apoio ao primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, a quem se juntou em ataques a instalações nucleares no Irã.

Quanto à América Latina, o governo republicano “fez da migração sua prioridade central”, exigindo maior controle das fronteiras do México, Canadá e América Central, além de trabalhar para “reduzir a influência chinesa em áreas estratégicas”, como a zona do Canal do Panamá, disse à EFE Jason Marczak, diretor do Centro Adrienne Arsht para a América Latina do Atlantic Council.

Trump também causou polêmica por suas intenções de recuperar o Canal do Panamá e a renomeação do Golfo do México para Golfo da América, além de confrontos diplomáticos com Brasil e Colômbia.

Uma política de imigração pesada

O republicano radicalizou a gestão da imigração com novas ordens para aumentar as detenções diárias de migrantes e deportações rápidas, ações criticadas por defensores dos direitos humanos.

O governo aumentou o financiamento para o Immigration and Customs Enforcement (ICE) para multiplicar as incursões. Em Los Angeles, essa escalada provocou protestos massivos que desencadearam o envio da Guarda Nacional e de milhares de fuzileiros navais contra a vontade das autoridades locais.

Trump eliminou o Status de Proteção Temporária para cidadãos da Venezuela, Haiti, Honduras, Nicarágua e Afeganistão, deixando centenas de milhares em risco de perder seu status legal.

Também autorizou deportações para terceiros países e o envio de dezenas de pessoas para uma prisão de segurança máxima em El Salvador, para centros de detenção na base naval de Guantánamo (Cuba) e para a chamada “Alcatraz Cayman” na Flórida.

Cortes, a ruptura com Musk e o caso Epstein

Trump obteve uma vitória após a aprovação no Congresso de um megaprojeto tributário e cortes nos gastos públicos, o que, no entanto, eleva o déficit fiscal em cerca de 2,8 trilhões de dólares. O presidente tem contado com a maioria legislativa republicana para aprofundar sua redução nos gastos federais.

Nesse contexto, Trump protagonizou uma amarga rixa pública com seu agora ex-aliado e doador, Elon Musk, que censurou o presidente por minar seu trabalho à frente do polêmico Departamento de Eficiência Governamental (DOGE), que ele deixou em maio, eo acusou de aparecer na lista de clientes do falecido Jeffrey Epstein.

Precisamente, o tratamento do caso Epstein causou uma inesperada crise de confiança entre seus apoiadores mais ferrenhos, que exigem a publicação de todas as provas contra o financista acusado de tráfico sexual, conforme prometido pelo presidente antes de assumir o cargo.

Depois que o FBI descartou a existência de uma lista de clientes e confirmou que o pedófilo morreu por suicídio, a pressão da base levou o presidente a ordenar a publicação de todas as informações “confiáveis” e a divulgação do depoimento do grande júri. (El Nacional)

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