
O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, durante a Cúpula do Brics, no Brasil – Alex Ferro/BRICSBRASIL
O Irã seguirá adiante com o desenvolvimento de seu programa nuclear, especialmente no que diz respeito ao enriquecimento de urânio, apesar dos “graves danos” causados às instalações do país por ataques dos Estados Unidos e de Israel. A afirmação foi feita na segunda-feira (21) pelo ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, em entrevista ao canal norte-americano Fox News.
O diplomata afirmou que o enriquecimento de urânio não será abandonado, mesmo após os bombardeios que paralisaram temporariamente a atividade. “Há uma paralisação porque, sim, os danos são graves, mas, evidentemente, não podemos renunciar ao enriquecimento porque é uma conquista dos nossos próprios cientistas”, disse. Segundo ele, a continuidade do programa tornou-se também uma questão de “orgulho nacional”.
Na próxima sexta-feira (25), representantes do Irã devem se reunir com autoridades da Alemanha, França e Reino Unido em Istambul, na Turquia. Será o primeiro encontro do tipo desde a guerra de 12 dias entre Irã e Israel, em junho, que deixou centenas de mortos. O controle do programa iraniano pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) deve estar entre os principais pontos da pauta.
Araghchi garantiu que Teerã está aberta a negociar com os Estados Unidos, mas apenas de forma indireta, “por enquanto”. Acrescentou que qualquer novo pacto deverá garantir ao Irã o direito ao enriquecimento de urânio, mantendo o caráter civil do programa. “Estamos abertos a conversas […] para demonstrar que o programa nuclear é pacífico”, disse, condicionando avanços à retirada das sanções impostas pelos EUA.
Ainda durante a entrevista, Araghchi afirmou que técnicos da agência atômica iraniana avaliam a situação do material enriquecido após os ataques, mas garantiu que o programa “não pode ser destruído com bombardeios”, já que “a tecnologia está lá”. Também afirmou que o país segue com capacidade de defesa, apesar da destruição de depósitos de armamentos, e disse ter se reunido recentemente com o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, que, segundo ele, “está muito saudável”.
No último dia 22 de junho, os Estados Unidos bombardearam três instalações nucleares iranianas: o centro subterrâneo de enriquecimento de Fordo e as centrais de Isfahan e Natanz. A ofensiva ocorreu em apoio aos ataques promovidos por Israel contra o Irã e foi endossada pelo presidente norte-americano Donald Trump, que ameaçou repetir a ação “se for necessário”.
A retomada dos bombardeios e o endurecimento das posições dos EUA ocorrem após o colapso do acordo nuclear firmado em 2015 entre o Irã e os membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (China, França, Estados Unidos, Reino Unido e Rússia), além da Alemanha. O pacto previa limitações ao programa nuclear iraniano em troca do alívio de sanções, mas foi rompido em 2018, quando Trump retirou os EUA do tratado de forma unilateral. (Brasil de Fato)

