Brasília, 10/03/2026

‘Soa ridículo’, diz Putin sobre acusações de que Rússia poderia atacar a União Europeia

O presidente russo, Vladimir Putin, afirmou nesta quinta-feira (27) que soam “ridículas” as reiteradas acusações dos países europeus de que, depois do conflito ucraniano, Moscou poderia realizar ataques contra países da União Europeia. O líder russo disse ainda que as políticas de rearmamento da Europa servem a interesses econômicos e políticos de seus líderes.

“Em algum momento, precisamos, sem dúvida, sentar e discutir seriamente questões específicas; precisamos colocar tudo em linguagem diplomática. Porque uma coisa é dizer, de forma geral, que a Rússia não vai atacar a Europa. Isso soa ridículo para nós, não é? Nunca tivemos essa intenção. Mas se eles querem ouvir isso de nós, vamos deixar registrado, sem problema”, destacou. As declarações do presidente russo aconteceram durante sua visita ao Quirguistão.

A declaração acontece no mesmo dia que o presidente da França, Emmanuel Macron, lança um programa de serviço militar voluntário no seu país, voltado para jovens de 18 e 19 anos. Segundo Macron, a intenção é reforçar as Forças Armadas diante de “um cenário geopolítico mais instável”.

Putin disse ainda que existem pessoas “que querem algo em troca quando dizem publicamente à sua população, aos seus cidadãos, que a Rússia está se preparando para atacar a Europa e que precisamos fortalecer imediatamente nosso potencial de defesa”.

Para o líder russo, esses líderes “ou estão servindo aos interesses da indústria de defesa e de empresas privadas, ou estão tentando aumentar seus índices de aprovação política interna nesse contexto, dada a situação crítica da economia e da esfera social”.

“É difícil dizer o que os guia, mas, da nossa perspectiva, é um completo absurdo, uma mentira descarada. No entanto, se é isso que estão promovendo na consciência pública, se assustaram seus cidadãos e querem ouvir que não estamos planejando nada, que não temos planos agressivos contra a Europa, então que assim seja, estamos prontos para documentar tudo da melhor forma possível”, completou.

Plano de paz

Sobre o chamado “plano de paz” apresentando pelos EUA para encerrar o conflito na Ucrânia, Putin disse que uma das condições para o cessar-fogo é a retirada das Forças Armadas da Ucrânia das suas posições nos territórios em disputa ainda controlados por Kiev.

“Nós sempre estamos recebendo demandas para cessar as hostilidades. As tropas ucranianas se retiram dos territórios que ocupam — só então os combates cessarão. Se não se retirarem, faremos isso pela via militar”, disse o chefe de Estado.

A retirada das Forças Armadas da Ucrânia da parte da região de Donetsk ainda não ocupada por Moscou estava prevista na versão original do plano de Washington. No entanto, este termo foi rejeitado por Kiev e por lideranças europeias. De acordo com publicações da mídia, após as negociações em Genebra, a questão territorial foi retirada do documento e deixada para discussão em um encontro pessoal entre Trump e Zelensky.

Vladimir Putin afirmou que o documento que vem sendo discutido ainda não é um “projeto de tratado”, mas sim “um conjunto de questões propostas para discussão”.

O plano inicial de 28 pontos para encerrar a guerra na Ucrânia, apresentado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, previa a retirada das Forças Armadas da Ucrânia das partes da região de Donetsk ainda não ocupadas pela Rússia.

Posteriormente, a Ucrânia se reuniu com líderes da União Europeia em Genebra e o plano foi reduzido. De acordo com Vladimir Putin, após as negociações em Genebra, foi decidido dividir os 28 pontos do plano em quatro partes.

“Não houve um ‘projeto de tratado de paz’. Havia um conjunto de questões propostas para formulação, mesmo antes da minha visita ao Alasca. Depois disso, surgiu uma lista de 28 possíveis acordos, que nos foi comunicada por determinados canais. Em seguida, ocorreram negociações em Genebra entre os EUA e a Ucrânia. Pelo que entendi, eles decidiram mutuamente que esses 28 pontos deveriam ser divididos em quatro componentes separados. Tudo isso nos foi comunicado. Em geral, concordamos que isso pode servir de base para futuros acordos”, declarou.(Brasil de Fato)

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