Brasília, 07/03/2026

China vai fornecer mais 100 milhões de dólares em ajuda para a Palestina

Brasil de Fato – O presidente chinês Xi Jinping anunciou nesta quarta-feira (4) que a China fornecerá US$ 100 milhões (mais de R$ 531 milhões) em ajuda à Palestina para aliviar a crise humanitária em Gaza e apoiar a recuperação e reconstrução da região devastada por mais de dois anos de bombardeios israelenses.

Os ataques de Israel à população continuam mesmo após o anúncio de cessar-fogo. O anúncio de Xi foi feito durante encontro com o presidente francês Emmanuel Macron, que se encontra no país asiático para uma visita de Estado de três dias. O chefe de Estado da França lidera a iniciativa de um comitê para escrever a Constituição palestina, ideia rejeitada por movimentos de resistência.

Xi disse que China e França trabalharão juntas para promover uma solução “precoce, abrangente, justa e duradoura” para a questão palestina. O presidente chinês lamentou que o mundo atual está longe de ser pacífico, com disputas políticas internacionais e conflitos surgindo em múltiplas frentes de maneira complexa e difícil de resolver.

A nova contribuição chinesa se soma a esforços anteriores de Pequim para apoiar o povo palestino. Em maio de 2024, durante a 10ª Reunião Ministerial do Fórum de Cooperação China-Estados Árabes, Xi havia anunciado que a China forneceria 500 milhões de yuans (mais de R$ 375 milhões) em ajuda, também para o alívio da crise humanitária em Gaza e a reconstrução pós-guerra. Na ocasião, o presidente chinês também anunciou uma doação de US$ 3 milhões (quase R$16 milhões) à Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA, na sigla em inglês) para apoiar a assistência humanitária emergencial à Faixa de Gaza. Antes, a China ainda havia fornecido 100 milhões de yuans (R$ 75 milhões) em ajuda humanitária emergencial à Palestina desde o agravamento dos ataques de Israel, em outubro de 2023.

Situação humanitária crítica

O anúncio ocorre em meio a alertas da diplomacia chinesa sobre o agravamento da situação humanitária em Gaza. Na segunda-feira (2), durante sessão da Assembleia Geral da ONU que aprovou resoluções exigindo a retirada israelense dos territórios ocupados, o embaixador chinês Sun Lei advertiu que a situação permanece crítica quase dois meses após a entrada em vigor do acordo de cessar-fogo.

Sun alertou que, embora a ajuda humanitária a Gaza tenha aumentado recentemente, ela permanece muito abaixo do necessário para atender às necessidades urgentes. Com a aproximação do inverno, o diplomata advertiu que o povo de Gaza, em meio às ruínas, em breve enfrentará uma crise ainda maior.

A China exortou Israel a abrir todas as passagens de fronteira, remover as restrições ao acesso humanitário e garantir que agências como a UNRWA possam prestar assistência. Pequim também pediu à comunidade internacional que aumente o apoio financeiro às agências humanitárias que operam na região.

Posição chinesa sobre solução política

A China tem defendido consistentemente a implementação da solução de dois Estados como caminho para a paz permanente no Oriente Médio. Xi reafirmou o apoio chinês ao estabelecimento de um Estado palestino independente com base nas fronteiras de 1967, tendo Jerusalém Oriental como capital e gozando de plena soberania.

Pequim também defende a adesão da Palestina às Nações Unidas e a realização de uma conferência internacional de paz mais ampla, com maior autoridade e mais eficaz para tratar da questão palestina.

Durante seu discurso na Assembleia Geral, Sun denunciou que as violações do cessar-fogo ocorrem quase diariamente e continuam causando inúmeras vítimas civis inocentes. O embaixador afirmou que meios militares não são a solução e que recorrer à violência apenas exacerba o ciclo vicioso.

A China também defendeu que a reconstrução pós-guerra de Gaza deve respeitar o princípio da governança palestina e a vontade do povo palestino, em linha com a Resolução 2803 do Conselho de Segurança aprovada em novembro deste ano.

Tags

Gostou? Compartilhe!