Luiz Carlos Bordoni
O anúncio de Ana Paula Rezende, admitindo-se pré-candidata ao Senado pelo MDB, caiu como uma pedrada num tabuleiro já congestionado. Incomoda a cúpula do partido, tensiona a relação com Daniel Vilela e atravessa, de forma direta, o desenho político do governador Ronaldo Caiado.
A matemática da chapa estava, até aqui, relativamente clara: uma vaga ao Senado reservada a Gracinha Caiado; a outra — assim como a vice — destinada à engenharia fina das alianças, tempo de TV e palanques regionais. É nesse espaço que entrou, com força, a movimentação do Flávio Bolsonaro, tentando emplacar o PL na chapa estadual, com Gustavo Gayer como nome ao Senado.
A pré-candidatura de Ana Paula bagunça esse arranjo. Ela não é apenas mais um nome: é a imagem viva de Íris Rezende dentro do MDB, símbolo do irismo, memória afetiva e capital político ainda pulsante no Estado.
Tirar isso do jogo não é simples — e ignorar, menos ainda. Resultado: uma sinuca de bico. Um nó górdio em que não cabe espada, muito menos a de Alexandre. Aqui, só negociação paciente, concessões reais e leitura fina da história política de Goiás. Quem subestimar esse peso simbólico arrisca perder mais do que ganhar. Em tempo: Amanhã, 22, Íris Rezende completaria 92 anos.

