O favoritismo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa pela reeleição foi reforçado nesta semana com a divulgação de mais um levantamento em que ele aparece na liderança da disputa em todos os cenários. Segundo a pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, o petista venceria qualquer um dos adversários.
Para o cientista político Paulo Niccoli Ramirez, professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), além de buscar um novo mandato, o presidente deve tentar transferir sua popularidade para candidatos às vagas no Congresso Nacional, em busca de fortalecer a base aliada caso confirme a vitória em outubro.
“O que o Lula precisa fazer é transferir essa influência e essa popularidade que ele tem, apesar de ter uma rejeição muito alta, ele ainda assim é o candidato favorito. Por ser o candidato favorito, ele tem a capacidade de transferir votos para candidatos ao Legislativo. Ele deve se concentrar bastante no apoio aos candidatos aliados do PT, seja do próprio partido, seja de outros partidos que venham a constituir chapa”, disse Ramirez, em entrevista ao jornal Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, nesta quinta-feira (22).
O especialista projeta um ano de ataques da oposição na Câmara e no Senado ao presidente, que, por sua vez, deve reagir. Nesse contexto, algumas pautas de alto apelo popular podem ganhar força.
“É muito possível que a gente veja o governo colocando em pauta definitivamente a redução da escala 6×1, o que vai gerar um mal-estar para os congressistas, já que a maioria deles representa o grande capital e não tem o menor interesse na jornada de trabalho”, avaliou.
O professor destacou que as pesquisas reafirmam a desorganização da direita. No mesmo levantamento, nomes que poderiam estar unidos, como os representantes da família Bolsonaro e Tarcísio de Freitas, aparecem como adversários.
“Nem mesmo os próprios bolsonaristas se sentem totalmente confiantes, seja em Tarcísio, ou Flávio [Bolsonaro], e muito menos a Michelle [Bolsonaro]. Existe essa dificuldade de o Bolsonaro transferir o capital político para um eventual sucessor à sua candidatura”, avaliou.



