Pelo menos 11 palestinos foram mortos pelas forças israelenses nesta quarta-feira (21/01) em diferentes pontos da Faixa de Gaza. Entre as vítimas estão três jornalistas que estavam filmando o sofrimento dos civis na região. Também foram mortos dois meninos de 13 anos, um deles por tiros enquanto buscava lenha.
De acordo com autoridades de saúde palestinas, os jornalistas Mohammed Salah Qashta, Abdul Raouf Shaat e Anas Ghneim foram mortos por um ataque aéreo israelense. Eles se deslocavam para registrar imagens de um campo de deslocados recém-instalado na região de Netzarim, quando o veículo foi atingido na Cidade de Gaza.
Em nota, o Sindicato dos Jornalistas Palestinos disse que eles “estavam realizando uma missão humanitária e jornalística para filmar e documentar o sofrimento dos civis”. O trabalho era patrocinado pelo Comitê de Socorro Egípcio, que coordena operações de ajuda do Egito em Gaza.
Segundo o porta-voz da entidade, Mohammed Mansour, o veículo atingido era conhecido pelo Exército israelense. Shaat colaborava regularmente com a Agence France-Presse como fotógrafo e cinegrafista.
Vídeos que circularam nas redes sociais mostram um carro carbonizado à beira da estrada, com fumaça ainda saindo dos destroços e objetos espalhados pelo chão. Os corpos foram levados ao hospital al-Shifa, na Cidade de Gaza, e no hospital dos Mártires de al-Aqsa, em Deir al-Balah.
Alegação de Israel
O Exército israelense afirmou que o veículo foi atingido “com precisão” após os soldados “identificarem vários suspeitos que operavam um drone afiliado ao Hamas”, e que o episódio segue para verificação.
Ao comentar as mortes, o correspondente em Gaza da Al Jazeera, Tareq Abu Azzoum, destaca a ausência de quaisquer evidências de que os profissionais estivessem envolvidos em qualquer atividade militar. “Testemunhas disseram que o veículo era inteiramente civil. Também ouvimos do próprio comitê que os jornalistas estavam documentando atividades realizadas pelo comitê no centro de Gaza, que tem sido responsável por fornecer abrigos para famílias deslocadas”.
Segundo o Repórteres Sem Fronteiras, ao menos 29 jornalistas palestinos foram assassinados em Gaza após o anúncio do cessar-fogo, entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025. Desde o início da guerra, o número de profissionais da imprensa mortos chega a 220, segundo a organização.
Crianças mortas
No mesmo dia, dois meninos de 13 anos foram mortos. Um dos ataques foi por drones e atingiu um garoto, seu pai e um homem de 22 anos no campo de refugiados de Bureij.
Na outra morte, tropas israelenses atiraram em Moatsem al-Sharafy, um menino que apanhava lenha para que a mãe pudesse cozinhar, na cidade oriental de Bani Suheila. À Associated Press, a mãe do garoto, Safaa al-Sharafy, relatou que o filho saiu de manhã, com fome. “Ele me disse que iria rápido e voltaria”, afirmou.
Imagens nas redes mostram o pai da criança chorando sobre corpo em uma cama de hospital. Mais de 100 crianças foram mortas desde o início do cessar-fogo, em outubro, afirma a Unicef. (Brasil de Fato)
