Brasília, 07/03/2026

Agentes federais matam mais uma pessoa em Minneapolis, nos EUA

Um homem de 37 anos morreu após ser baleado por agentes federais de imigração na manhã deste sábado (24), durante uma operação no sul de Minneapolis, nos Estados Unidos, segundo autoridades locais. O caso é o segundo episódio fatal envolvendo forças federais do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE) na cidade em menos de um mês.

Segundo o Departamento de Segurança Interna (DHS) dos EUA, a ação ocorreu por volta das 09h05 (no horário local), durante uma operação direcionada contra um imigrante em situação irregular, identificado como Jose Huerta-Chuma, com antecedentes criminais por agressão doméstica, conduta desordeira e condução sem habilitação válida.

A alegação do departamento foi desmentida por familiares que confirmaram que o homem seria Alex Pretti, um enfermeiro americano, nascido em Illinois, informou a emissora local WCCO

Segundo o chefe da Polícia de Minneapolis, Brian O’Hara, agentes da polícia local foram acionados após relatos de um tiroteio envolvendo forças federais e encontraram a vítima, um homem branco, residente da cidade e cidadão norte-americano, com múltiplos ferimentos por arma de fogo. A vítima chegou a receber atendimento de emergência no local e foi levado ao Hennepin County Medical Center, onde morreu.

Segundo O’Hara, as autoridades municipais ainda não receberam informações oficiais sobre o que antecedeu o disparo. “Não fomos informados oficialmente sobre o que levou ao tiroteio”, afirmou. A polícia local confirmou que solicitou a atuação do Departamento de Apreensão Criminal de Minnesota (BCA) para conduzir a investigação, além da presença do FBI no local.

Em coletiva, o comandante da Patrulha de Fronteira e da Alfândega dos EUA em Minneapolis, Gregory Bovino, declarou que o homem teria se aproximado dos agentes portando uma pistola semiautomática calibre 9 mm, além de dois carregadores municiados, e que teria resistido violentamente à tentativa de desarmamento. Segundo Bovino, um agente disparou “tiros defensivos” ao temer pela própria vida e pela segurança da equipe.

A prefeitura de Minneapolis informou, em comunicado divulgado nas redes sociais, que estava ciente de “relatos de outro tiroteio envolvendo forças federais de segurança” na região e pediu que a população “permaneça calma e evite a área imediata”, enquanto tentava confirmar mais detalhes.

Confrontos e protestos

Após o ocorrido, manifestantes se reuniram no local e houve confronto com agentes federais, que utilizaram agentes químicos para dispersar o protesto, segundo a emissora local WCCO.

O DHS afirmou que cerca de 200 pessoas teriam chegado à área e passado a “obstruir e agredir” agentes federais, o que motivou o emprego de medidas de controle de multidões.

A polícia pediu que as pessoas deixassem a área, citando risco à segurança pública ao citar duas pequenas ocorrências de incêndio  registradas e controladas pelo corpo de bombeiros.

O’Hara afirmou que a polícia local precisou convocar todos os agentes disponíveis, com apoio da Patrulha Estadual de Minnesota e de forças de condados vizinhos. A Guarda Nacional foi colocada em alerta, segundo as autoridades.

Críticas de autoridades locais

O governador de Minnesota, Tim Walz, afirmou ter comunicado à Casa Branca que o estado deve liderar a investigação do caso. “Disse à Casa Branca que o estado precisa conduzir a investigação. Deixem os investigadores estaduais garantirem justiça”, escreveu nas redes sociais.

Walz pediu que a população permanecesse pacífica e criticou a atuação federal. “O estado tem pessoal suficiente para manter as pessoas seguras — agentes federais não devem obstruir nossa capacidade de fazer isso”, afirmou.

Mais cedo, o governador já havia classificado o episódio como “repugnante” e declarou que Minnesota “já teve o suficiente” dessas operações.

O prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, fez duras críticas à atuação dos agentes federais e pediu o fim imediato da operação. “Vi um vídeo de mais de seis agentes mascarados espancando um de nossos moradores e atirando até matá-lo. Quantos mais americanos precisam morrer ou ficar gravemente feridos para que essa operação termine?”, afirmou Frey.

Segundo o prefeito, a presença de agentes fortemente armados e sem identificação nas ruas “enfraquece a confiança na aplicação da lei e na própria democracia”. Frey também rebateu acusações de que a tensão nas ruas seria responsabilidade das lideranças locais e citou protestos recentes com 15 mil pessoas, que transcorreram de forma pacífica.

Isso não é uma questão partidária. É uma questão americana”, disse o prefeito da cidade, dirigindo-se diretamente ao presidente Donald Trump e pedindo a retirada imediata dos agentes federais da cidade.

A presença do ICE em Minnesota também foi criticada por senadores do estado. A senadora Tina Smith classificou o episódio como “outro tiroteio catastrófico cometido por agentes federais” e defendeu que o ICE deixe a área para permitir que a polícia local conduza a investigação.

Já a senadora Amy Klobuchar afirmou que trabalhava para obter mais informações e cobrou uma resposta do governo Trump e de parlamentares republicanos, pedindo a retirada imediata das forças federais de Minnesota.(IG)

Tags

Gostou? Compartilhe!