Brasil de Fato – Nem mesmo a chuva que tomou conta de Brasília no último domingo (25) foi capaz de parar quem marchava a favor de políticas públicas para a comunidade trans. Com o tema “Brasil soberano é país sem transfobia”, a 3ª Marcha Trans reuniu ativistas de diversas localidades do Brasil em frente ao Congresso Nacional.
Entre as pautas levantadas estavam o debate eleitoral que se aproxima, a construção de políticas voltadas à comunidade LGBTQIA+ e a defesa e garantia de direitos. Ativista pela Associação TRAfeminista (Trafem), Leonardo Luiz explica que a mobilização também é focada em demandas sociais, como o fim da escala 6×1.
“Estamos aqui para lutar também pelas regulações das redes sociais e também falar que crianças trans importam. Não nos tornamos trans a partir dos 8 anos. Já viemos de toda uma questão trans já na infância, na adolescência. E é por isso que estamos aqui, para falar que a democracia e o estado laico, tem que ser entrar em vigor realmente, ser implementado”, disse.
Presente na marcha, o deputado distrital Fábio Félix (Psol-DF) reiterou a importância das eleições deste ano para que a extrema direita não barre projetos que garantem direitos à comunidade LGBTQIA+. “Precisamos lutar pela soberania, mas não há soberania nacional se nós não derrotarmos a transfobia. Inclusive, o projeto imperialista que ataca a soberania dos países latino-americanos, têm como objetivo o programático ataque às pessoas trans”, salientou.
Transfobia
À frente da articulação da marcha, Bruna Benevides, presidente da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), relembra a história da marcha, criada em meio à ascensão global da extrema direita e à perseguição sistemática às pautas de diversidade.
“O Brasil já era um país extremamente violento com a população trans antes mesmo da extrema direita assumir o poder. Nós já enfrentávamos desemprego, expulsão escolar, dificuldades de acesso à saúde e uma violência cotidiana brutal”, afirmou em entrevista ao Brasil de Fato DF.

O Brasil continua ocupando o primeiro lugar no ranking de países que mais mata pessoas trans e travestis no mundo. Segundo levantamento da Antra, em 2025, foram registrados 80 assassinatos. Ceará e Minas Gerais foram os estados com o maior número de crimes, sendo oito cada.
Espaço coletivo
Samantha Terena, representante do Coletivo Tybyra, exemplifica o caráter da manifestação, que tem como um dos focos mostrar a realidade em que muitas pessoas trans estão expostas. “Vamos lutar, vamos marchar pela nossas vidas, porque se não não lutarmos, nós morreremos. Estamos aqui para lutar pelas nossas vidas e por todas aquelas que virão”, ressaltou.
A designer de moda, Isabella Martins compartilha da mesma visão. Para ela, a marcha é um espaço de luta coletiva que une a comunidade. “Estar aqui é muito importante, estou aqui com a minha bandeira levantando e mostrando que não importa o que digam, vou continuar vivendo e tendo a minha dignidade como pessoa, como uma mulher trans, como uma travesti”, disse enquanto estava envolta à bandeira trans.
As reivindicações foram levantadas por diversas vozes. Mulheres trans indígenas, ribeirinhas e de terreiro trouxeram luz às suas demandas. A coordenadora do Coletivo Força Trans, Lorraine Macedo, explica que esse era um dos objetivos principais.
“Essa marcha trans é muito importante pela soberania do país e nós reivindicamos direitos humanos, reivindicamos pelas trans indígenas, pelas trans ribeirinhas e pelas trans que necessitam de ajuda nas periferias da cidade. Lutamos para que a cada dia o Congresso Nacional e as políticas públicas possam abrir mais espaço para as mulheres trans e travestis”, frisa.


