Brasília, 08/03/2026

Salvadorenhos tomam as ruas da capital contra regime autoritário de ultradireitista Bukele

A capital salvadorenha, San Salvador, foi palco, neste domingo (25), de uma grande marcha contra o estado de emergência decretado pelo presidente de extrema direita, Nayib Bukele, que permite prisões sem mandado judicial, supostamente para combater gangues no país.

Segundo fontes oficiais, sob essa política, mais de 90 mil pessoas foram detidas desde 2022 e cerca de 8 mil foram libertadas após serem consideradas inocentes. Grupos de direitos humanos denunciam prisões arbitrárias e até mesmo tortura.

“Exigimos o fim do estado de emergência e também o direito às garantias constitucionais”, afirmou Sonia Urrutia, porta-voz do Bloco de Resistência Popular e Rebelião. A militante denunciou que o estado de emergência, ratificado mensalmente por um Congresso dominado por deputados pró-Bukele, tornou-se uma “política de Estado”.

“Houve um enfraquecimento das diversas instituições judiciais, um enfraquecimento daquelas instituições que foram criadas, como a Defensoria Pública de Direitos Humanos e a Polícia Nacional Civil, fundada para proteger o povo salvadorenho. Agora estamos enfrentando perseguição.”

“Estamos sob um estado de emergência que tomou conta de todas as instituições governamentais. Temos uma Defensoria Pública de Direitos Humanos que é uma vergonha para este país”, declarou Juana Fuentes, dona de casa de 54 anos, cujo filho Nelson está preso desde 2022.

Segundo a ONG Socorro Jurídico, 470 pessoas privadas de liberdade morreram em El Salvador desde 2022.

O Movimento das Vítimas do Regime (Movir), cujos ativistas participaram da marcha, pediu que os tribunais declarem o estado de emergência “inconstitucional” disse exigir “liberdade para meus filhos e para todas as outras pessoas inocentes”.

Já Samuel Ramírez, líder do Movimento de Vítimas do Estado de Emergência disse que “estamos sob um estado de emergência que tomou conta de todas as instituições governamentais. Temos uma Defensoria Pública de Direitos Humanos que é uma vergonha para este país”

Durante a caminhada, que percorreu as ruas do centro de San Salvador, os manifestantes também denunciaram a “perseguição” de ambientalistas, sindicalistas e defensores dos direitos humanos pelo governo Bukele. “Chega de ditadura” e “Governo falso e mentiroso” estavam entre os slogans em algumas das faixas da manifestação, que também protestou contra a mineração, a demissão de professores e as dispensas de profissionais da saúde.

O protesto foi convocado como parte das comemorações da assinatura dos acordos de paz que puseram fim à guerra civil em janeiro de 1992.

No ano passado, o governo Bukele ganhou manchetes em todo o mundo ao aceitar receber pessoas enviadas pelos Estados Unidos nas operações contra imigrantes conduzidas pelo governo de Donald Trump.  Essas pessoas que geralmente não têm acesso a advogados são depositadas no presídio de segurança máxima Centro de Confinamento do Terrorismo (Cecot), acusado de condições degradantes e inúmeras violações dos direitos humanos.(Brasil de Fato)

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