A filiação do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, que deixou o União Brasil, fez com que o PSD passasse a ter três ditos “presidenciáveis”: além do próprio Caiado, os também governadores Ratinho Junior (Paraná) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) compõem as fileiras da legenda. A dúvida, agora, é sobre qual deles será o cabeça de chapa de uma eventual candidatura pessedista à presidência. Entretanto, para o cientista político Paulo Niccoli Ramirez, essa candidatura pode nem mesmo existir.
Ramirez, que é professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), lembrou que a legenda nunca teve um candidato próprio ao Planalto. Fundado em 2011 por Gilberto Kassab, o partido apoiou a então presidenta Dilma Rousseff na campanha à reeleição em 2014; compôs a chapa de Geraldo Alckmin (então no PSDB) em 2018; e declarou neutralidade em 2022. E, durante os mandatos, sempre se aproximou do poder.
“É um partido que se caracteriza por uma diversidade que esconde um interesse e um pragmatismo: sempre estar ao lado de quem vence. Não por acaso, o Kassab também esteve com seu partido no mandato de [Jair] Bolsonaro; esteve com [Michel] Temer; esteve com a Dilma até um pouco antes do impeachment. E assim será com as próximas candidaturas vencedoras”, aposta o cientista político.
O bom desempenho de Flávio Bolsonaro (PL) nas pesquisas presidenciais, sempre à frente dos pré-candidatos de direita não-declaradamente bolsonaristas, pode pesar na eventual decisão pela desistência do PSD de ter um nome próprio na disputa. E, se tiver, não deverá brigar pela vitória, segundo o especialista.
“Não me parece que seja uma candidatura que, caso venha a acontecer, vá decolar. A ideia do Kassab é apenas medir forças nesse momento: até que ponto ele pode se tornar uma figura chave. Mas o peso político existe. Uma vez que existem as verbas parlamentares, isso deu mais força ainda para que o PSD se reforçasse nos municípios. E é nessas localidades que surge a maioria dos deputados federais”, afirma Ramirez, lembrando que o partido foi o que conseguiu eleger o maior número de prefeitos no país em 2024.
Enquanto reúne nomes fortes sob sua legenda, Kassab segue sem criar atritos diretos com lulistas ou bolsonaristas. Isso ilustra bem a forma de agir do partido: atualmente comanda três ministérios no governo Lula: Agricultura (com Carlos Fávaro), Minas e Energia (Alexandre Silveira) e Pesca (André de Paula), além de compor a base de Tarcísio de Freitas no governo de São Paulo – o próprio Kassab integra o primeiro escalão do governo paulista, como secretário de Relações Institucionais.
“É uma posição confusa, mas essa é a essência do PSD. Em alguns estados vai apoiar partidos de esquerda; em outros casos, de direita. Ao nível nacional, pode ser que se mantenha com o Lula. É um partido que representa o centro. Mais os interesses econômicos da grande burguesia do que qualquer outra coisa, é um partido de composição, meramente”, resume Ramirez. (Brasil de Fato)
