Sem a inclusão de nenhum palestino e ignorando as diárias violações israelenses no “cessar-fogo” em vigor na Faixa de Gaza, o presidente estadunidense, Donald Trump, anunciou nesta quinta-feira (19) que os Estados Unidos contribuirão com US$ 10 bilhões (R$ 52,3 bilhões) para o seu recém-criado “Conselho da Paz”. O órgão foi inicialmente destinado ao território palestino, mas tem ambições mais amplas de substituir a Organização das Nações Unidas (ONU).
“Quero informar que os Estados Unidos farão uma contribuição de US$ 10 bilhões para o Conselho da Paz“, disse ele. Países do Golfo e o Japão também se comprometeram com doações.
Em sua reunião inaugural, o Conselho de Paz reuniu cerca de vinte líderes mundiais e altos funcionários, incluindo vários aliados de Trump como El Salvador, Hungria e Armênia. Presente no encontro, o presidente argentino, Javier Milei, ofereceu tropas para serem enviadas à Faixa de Gaza.
“Colocamos à disposição a colaboração de nossos capacetes brancos. Nossa trajetória em operações de paz é um capital comprovado que colocamos a serviço da força de estabilização”, disse o presidente argentino.
Também no encontro em Washington, o presidente do Paraguai, Santiago Peña, reiterou o apoio de seu país a Israel e elogiou Trump pela iniciativa de criar o conselho, ao qual se nomeou presidente vitalício, mesmo após deixar a presidência dos EUA, e que cobra taxa de admissão de US$ 1 bilhão.
“O Paraguai se orgulha de ser membro fundador do Conselho da Paz e estamos aqui para colaborar”, declarou Peña em seu discurso em inglês para dezenas de chefes de Estado. “O Paraguai, juntamente com alguns outros países, apoiou Israel e continuará a fazê-lo”, acrescentou. “Mas viemos aqui de coração aberto para trabalhar pela paz”, concluiu.
A Indonésia, país de maior população muçulmana, assumirá o comando militar adjunto da Força Internacional de Estabilização na Faixa de Gaza. O Marrocos, por sua vez, anunciou sua disposição em se juntar à força internacional recém-criada, marcando o primeiro compromisso público de uma nação árabe com essa iniciativa.
“O Marrocos está pronto para enviar policiais e treinar policiais em Gaza”, anunciou o ministro das Relações Exteriores marroquino, Nasser Bourita.
O governo marroquino também enviará “oficiais militares de alta patente” para o comando conjunto da força de estabilização.
Ameaças ao Irã
Outro tema mencionado foi a crise envolvendo o Irã. Os Estados Unidos, que reforçaram sua presença militar no Oriente Médio, advertiram que Teerã deve alcançar um “acordo” nuclear, caso contrário, “coisas ruins acontecerão” nos “próximos 10 dias”, após Israel alertar aos iranianos que, se atacarem seu país, receberão uma “resposta que nem sequer podem imaginar”.
“Com o passar dos anos, ficou comprovado que não é fácil chegar a um acordo com o Irã. Temos que alcançar um acordo significativo, caso contrário, coisas ruins acontecerão”, afirmou o presidente americano, Donald Trump, na reunião inaugural do “Conselho da Paz”, sua iniciativa para garantir a estabilidade em Gaza.
“Se os aiatolás cometerem um erro e nos atacarem, receberão uma resposta que nem sequer podem imaginar”, falou o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. Irã e EUA retomaram recentemente as negociações indiretas, mediadas por Omã.
O Irã nega que seu programa nuclear tenha fins bélicos. O chefe do programa nuclear iraniano, Mohammad Eslami, em um vídeo divulgado pela mídia local disse que “o programa nuclear do Irã avança de acordo com as normas da Agência Internacional de Energia Atômica, e nenhum país pode privar o Irã do direito de se beneficiar pacificamente dessa tecnologia”.
O Irã, por sua vez, iniciou exercícios militares esta semana no Estreito de Ormuz.
Políticos iranianos ameaçaram bloquear essa via navegável, uma rota vital por onde transita aproximadamente 20% do volume de petróleo e gás natural liquefeito do mundo. As Forças Armadas do Irã e da Rússia também realizam exercícios militares conjuntos na região, no mar de Omã. Segundo Moscou, os exercícios estavam programados e não devem ser motivo de alarme.
Substituto da ONU?
Vários países, incluindo o Brasil, demonstraram preocupação com a ausência de representatividade palestina no conselho de Trump. Muitas das principais nações europeias – e tradicionais alidados dos EUA, como Reino Unido, França e Alemanha – temem que o órgão enfraqueça a ONU e confiram poder em demasia a Trump. (Brasil de Fato)


