“Isso prova que isso aqui não é ato eleitoral. Tem aqui dois pré-candidatos. Juntos não estamos disputando voto, estamos pensando no que é melhor para o nosso país.” A declaração do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) marcou a abertura do principal ato da direita realizado neste domingo (1º) na Avenida Paulista, em São Paulo.
Diante de apoiadores, parlamentares e governadores, o senador defendeu a construção de uma frente unificada do campo conservador para as eleições presidenciais. Ao agradecer a presença dos governadores Romeu Zema (Novo-MG) e Ronaldo Caiado (PSD-GO), ambos apontados como possíveis pré-candidatos ao Planalto, Flávio afirmou que a presença conjunta no palanque simboliza alinhamento e não disputa interna.
“Quero agradecer aos dois governadores presentes aqui hoje neste ato: Romeu Zema e Caiado”, disse, antes de elogiar Caiado e reforçar que o grupo estaria unido em torno de um projeto comum.
Críticas ao governo Lula e ao STF
O discurso teve forte conteúdo político. Flávio criticou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mencionando casos de fraudes no INSS e comparando a atual gestão com o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Também fez acenos a segmentos do eleitorado, como mulheres, jovens e beneficiários de programas sociais.
Em relação ao Supremo Tribunal Federal (STF), o senador afirmou que a Corte é “fundamental para a democracia”, mas declarou que ministros estariam, segundo ele, extrapolando suas atribuições. Disse ainda ser favorável ao impeachment de integrantes do tribunal que descumprirem a Constituição.
Defesa da dosimetria
Um dos pontos centrais do discurso foi a defesa da derrubada do veto do presidente Lula ao projeto da dosimetria, que propõe mudanças na aplicação de penas aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023. Flávio classificou o veto como “covarde” e afirmou que o Congresso deve restabelecer o texto aprovado pelos parlamentares.
Segundo o senador, a revisão das penas seria uma forma de corrigir o que considera excessos nas condenações impostas pelo STF. A pauta foi recebida com aplausos por parte do público presente.
Apoios e promessa envolvendo Bolsonaro
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), declarou apoio a Flávio e afirmou que “o time está sendo montado” para as próximas eleições. O governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos) não compareceu ao evento, mas foi citado como aliado e enviou mensagem aos participantes.
Ao encerrar o discurso, Flávio Bolsonaro revelou ter feito uma promessa ao pai: caso seja eleito presidente, pretende subir a rampa do Palácio do Planalto ao lado de Jair Bolsonaro, em janeiro de 2027. A fala reforçou o vínculo político com o ex-presidente e encerrou o ato sob aplausos dos manifestantes na capital paulista.
Público estimado
Segundo informações da CNN, a manifestação na Avanida Paulista reuniu cerca de 20,4 mil pessoas, de acordo com o Monitor do Debate Político, que tem o apoio de pesquisadores da USP (Universidade de São Paulo) em parceria com a organização More in Common. Considerando a margem de erro de 12%, a estimativa é entre 18 mil e 22,9 mil no pico da manifestação, às 15h53. A contagem feita pelo Monitor do Debate Político estimou a participação de 4,7 mil pessoas no Rio de Janeiro, na praia de Copacabana. Com a margem de erro de 12%, a presença foi estimada entre 4,1 mil e 5,3 mil pessoas no pico às 11h20. Não houve contagem de participantes em outras capitais do país. Além das manifestações principais, a direita também promoveu atos menos em cidades com foco em "adesivaços", carreatas e "esquentas" para as manifestações nas capitais.
