Na manhã desta quarta-feira (4), a Polícia Federal (PF) prendeu o empresário Daniel Vorcaro, fundador e principal controlador do Banco Master, em mais uma fase da Operação Compliance Zero — investigação que apura um extenso esquema de irregularidades financeiras no sistema bancário brasileiro. A ordem foi determinada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que atualmente relatoria o caso no tribunal. A detenção ocorreu em São Paulo e Vorcaro foi conduzido à Superintendência da PF, onde permanece preso preventivamente — sem prazo determinado — conforme a decisão judicial.
A terceira fase da Operação Compliance Zero foi deflagrada no início da manhã e contempla quatro mandados de prisão preventiva (incluindo o de Vorcaro) e 15 mandados de busca e apreensão, cumpridos em endereços ligados aos investigados em São Paulo e Minas Gerais.
Segundo a PF, a investigação mira uma organização criminosa suspeita da prática de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos — crimes que teriam sido praticados no contexto das atividades vinculadas ao Banco Master.
Além disso, as medidas autorizadas pelo STF incluem afastamento de cargos públicos associados aos envolvidos e o sequestro e bloqueio de bens no valor de até R$ 22 bilhões, com o objetivo de interromper a movimentação de ativos e preservar valores possivelmente relacionados às práticas ilícitas sob investigação.
Suspeita de obstrução
Fontes da CNN Brasil e apurações de veículos indicam que a nova prisão de Vorcaro pode estar relacionada à suspeita de tentativa de obstrução das investigações em curso. Estaria na base da prisão preventiva a alegação de que o banqueiro teria tentado interferir contra testemunhas e investigados, atrapalhando a coleta de provas e o andamento do caso, mesmo enquanto estava em prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica após sua libertação em 2025.
Mensagens e diálogos encontrados em dispositivos eletrônicos de Vorcaro, segundo a PF, mostrariam planos para que aliados cometessem atos de violência contra jornalistas e outros críticos do caso, o que agravaria a gravidade das acusações.
Caso Master
A Operação Compliance Zero teve sua origem em 2024, com foco inicial em supostas irregularidades cometidas pelo Banco Master, um banco de varejo que ganhou notoriedade nos últimos anos por práticas de alto risco e emissão de títulos de crédito considerados suspeitos.
Em 18 de novembro de 2025, a Justiça Federal de Brasília determinou a primeira fase da operação, que resultou na detenção de Vorcaro na noite anterior à ação — ele foi preso quando tentava embarcar em um avião particular rumo ao exterior. Na ocasião, ele passou cerca de 11 dias preso no Centro de Detenção Provisória antes de receber liberdade provisória com o uso de tornozeleira eletrônica e outras medidas cautelares.
Durante o ano passado, o case escalou, com o Banco Central do Brasil decretando a liquidação extrajudicial do Banco Master em novembro, em meio a uma profunda crise de liquidez e sinais de irregularidades nas operações da instituição.
O processo foi inicialmente relatado pelo ministro Dias Toffoli, mas a relatoria acabou redistribuída para André Mendonça, após a PF apresentar material que citava o ex-ministro em mensagens com Vorcaro — um episódio que gerou forte repercussão e dúvidas sobre interferência e conflitos no andamento das investigações.
