Brasília, 07/03/2026

Efeito Vorcaro: políticos reagem à prisão do banqueiro

Mariza Sabino, IG

A prisão preventiva de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal ( STF), elevou a temperatura em Brasília entre políticos e não apenas desarticulou um suposto esquema bilionário de fraudes financeiras, mas também detonou um campo de batalha retórico entre parlamentares de diferentes espectros.

A terceira fase da Operação Compliance Zero investiga crimes que vão além do colarinho branco, incluindo corrupção, lavagem de dinheiro e, em um desdobramento que chocou os bastidores, a invasão de dispositivos informáticos de autoridades e ameaças diretas a jornalistas.

O embate de narrativas

As declarações mais categóricas vieram dos relatores das  Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) que já monitoravam os passos do empresário. O deputado Alfredo Gaspar (União Brasil), relator da CPMI do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), foi enfático ao afirmar que a medida reforça os alertas feitos pelo colegiado.

“Por mim Vorcaro estava preso. Quem movimenta bilhões e tem ligação com operações sob investigação precisa responder com transparência e sem privilégios”, declarou o deputado em suas redes sociais.

No campo governista, o deputado Paulo Pimenta (PT) utilizou suas redes sociais para ligar a ascensão meteórica do Banco Master a decisões tomadas durante a gestão anterior, de Jair Bolsonaro, sugerindo um favorecimento institucional que agora precisa ser periciado.

Por outro lado, o senador Alessandro Vieira (MDB) destacou à imprensa que o nível de organização do grupo aponta para uma estrutura de “coerção privada” e que a “atuação é típica de crime organizado de altíssima periculosidade”, o que amplia o escopo das investigações no Senado. Vorcaro foi, inclusive, chamado de “gangster” pelo senador Sérgio Moro (União), que ainda afirmou que o dono do Banco Master agia como líder de uma organização criminosa.

Já o deputado federal Nikolas Ferreira (PL) em sua rede social declarou “delata, Vorcaro”. O parlamentar fez uso do jatinho pertencente ao empresário Daniel Vorcaro para cumprir agenda de campanha no segundo turno das eleições presidenciais de 2022, conforme revelado pelo Vai na Fonte, do iG. Em resposta à exposição do caso, o deputado afirmou que ”à época, não tinha conhecimento sobre quem era o proprietário do avião”. E que sua presença no voo ”se deu exclusivamente em razão do convite para a agenda de campanha, sem qualquer vínculo pessoal, comercial ou institucional com o dono da aeronave”.

O deputado federal Kim Kataguiri (União) defendeu que o banqueiro faça a delação e que entregue envolvidos no esquema.

A decisão do STF e os dados Sigilosos

A decisão do ministro André Mendonça foi fundamentada na urgência de proteger a integridade de cidadãos e autoridades. Segundo o despacho referente à operação de hoje, o magistrado citou elementos que indicam que Vorcaro teria monitorado ilegalmente jornalistas e autoridades mesmo estando sob medidas cautelares anteriores.

Os valores bloqueados pela Justiça impressionam: ultrapassam os R$ 22 bilhões. A Polícia Federal sustenta que o grupo operava um esquema de venda de títulos de crédito falsos, gerando um rombo bilionário que atinge diretamente fundos de pensão e o sistema financeiro nacional.

A versão de Vorcaro

Em nota enviada a veículos de comunicação, a defesa de Daniel Vorcaro negou categoricamente todas as acusações. Os advogados sustentam que o empresário sempre esteve à disposição das autoridades e que a prisão é desnecessária.

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