Luiz Carlos Bordoni (*)
A nova prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, recoloca no centro do debate um tema que sempre inquieta a sociedade: a relação perigosa entre poder econômico, acesso a informações sensíveis e influência política.
O que vem sendo revelado pela Polícia Federal é grave. Fala-se em espionagem, cooptação de servidores públicos, acesso a sistemas restritos e até a atuação de uma espécie de milícia privada para monitorar adversários e intimidar críticos. Se confirmadas, são práticas incompatíveis com qualquer ambiente democrático.
O ponto mais sensível, no entanto, não está apenas no banqueiro investigado. Está nas possíveis ramificações desse esquema. O afastamento de servidores do Banco Central, questionamentos envolvendo o Banco de Brasília e a hipótese de uma delação premiada fazem crescer a apreensão em Brasília e no sistema financeiro.
Quando investigações desse porte avançam, surgem sempre duas preocupações legítimas. A primeira é que tudo seja apurado com rigor, transparência e respeito ao devido processo legal. A segunda é evitar que o caso seja instrumentalizado politicamente.
O país já viveu episódios em que escândalos se transformaram em arenas de disputa partidária, desviando o foco daquilo que realmente importa: a verdade dos fatos.
Se houve corrupção, espionagem ou uso indevido de informações estratégicas do Estado, a sociedade precisa saber. E os responsáveis precisam responder por isso.
Porque, no fim das contas, o que está em jogo não é apenas o destino de um banqueiro ou de alguns servidores. É a credibilidade das instituições e a confiança pública no sistema que deveriam proteger o interesse coletivo.
E essa confiança, quando abalada, demora muito tempo para ser reconstruída.
(*) Luiz Carlos Bordoni é Jornalista
