A escalada do conflito no Oriente Médio provocou uma queda abrupta no tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, uma das rotas mais estratégicas do comércio mundial de petróleo. Dados da empresa de monitoramento MarineTraffic apontam que a circulação de petroleiros na região caiu cerca de 90% em comparação com a semana anterior, diante dos ataques militares envolvendo os Estados Unidos e das ameaças do Irã contra navios que tentem atravessar a passagem.
O estreito, localizado entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, responde pela passagem de cerca de 20% do petróleo consumido no mundo, além de ser corredor essencial para o transporte de gás natural liquefeito e diversas commodities.
Segundo a corretora de seguros Marsh, mais de 150 embarcações — incluindo petroleiros e navios de gás natural liquefeito — ficaram ancoradas próximas à entrada do estreito ou foram desviadas para rotas alternativas devido ao risco de ataques.
O aumento da tensão levou grandes companhias de navegação a restringirem suas operações na área. Empresas como Maersk, MSC Group, CMA CGM e Hapag-Lloyd suspenderam ou reduziram reservas para viagens na região, mantendo exceções apenas para cargas essenciais, como alimentos e medicamentos.
O impacto também se refletiu no mercado de seguros marítimos. As taxas de cobertura contra risco de guerra subiram de cerca de 0,25% para até 1,25% do valor das embarcações, segundo estimativas do setor.
Em meio à crise, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a Marinha americana poderá escoltar petroleiros que atravessem o estreito. Especialistas do setor marítimo, no entanto, avaliam que garantir proteção para todas as embarcações seria logisticamente difícil.
A paralisação parcial da rota já pressiona o mercado de energia. O preço do petróleo voltou a subir e se aproxima de US$ 80 por barril, elevando os custos de combustíveis e aumentando o risco de inflação em diversos países.
Analistas alertam que, caso a crise se prolongue, o impacto pode se estender por toda a economia global, com aumento dos custos de transporte, atrasos nas cadeias de suprimentos e possível desaceleração do crescimento econômico.
