Brasília, 07/03/2026

Atendimentos cardiológicos crescem 77% no Hospital de Base

Os atendimentos relacionados a problemas cardíacos no Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF) registraram aumento de 77% em 2025. Segundo a gestão da unidade, o crescimento está associado à reorganização da porta de entrada da urgência e emergência e à integração entre os serviços assistenciais, medidas que ampliaram o acesso e agilizaram o atendimento à população.

A mudança faz parte de um processo de reestruturação conduzido pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF). A iniciativa redefiniu fluxos internos e reforçou a articulação entre o pronto-socorro, a cardiologia clínica, a hemodinâmica e as unidades de internação, permitindo maior capacidade de resposta já no primeiro atendimento.

De acordo com a chefe do Serviço de Cardiologia do hospital, Gabriela Thevenard, a reorganização ampliou o perfil de pacientes atendidos na unidade. “Passamos a atender não apenas casos complexos, mas também pacientes com problemas cardiovasculares de menor gravidade ou em fase inicial de investigação. Isso possibilita diagnóstico mais precoce e início mais rápido do tratamento”, afirmou.

Com o novo modelo, o atendimento começa com uma triagem específica para sintomas cardíacos, seguida de avaliação médica imediata e realização de exames como eletrocardiograma e testes laboratoriais. A avaliação rápida do risco do paciente, feita logo na chegada ao hospital, auxilia a equipe médica na definição da conduta, que pode incluir observação, internação ou encaminhamento para procedimentos especializados.

Segundo o hospital, a reorganização também ajudou a reduzir a pressão sobre as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e hospitais regionais do Distrito Federal, permitindo que cada serviço atue de forma mais alinhada ao seu perfil assistencial.

Atendimento que salva vidas

O paciente Jonas Morais Sousa, de 53 anos, procurou o hospital em janeiro após voltar a sentir mal-estar. Ele já havia sofrido dois infartos, em 2019 e 2020. Após avaliação e exames, permaneceu internado para acompanhamento.

Uma infecção renal adiou a cirurgia cardíaca inicialmente prevista, mas, após estabilização clínica, ele foi submetido a uma cirurgia de revascularização do miocárdio — conhecida como ponte de safena — no dia 16 de fevereiro.

Em recuperação, o paciente destacou o atendimento recebido. “Tudo o que tenho a dizer é parabéns a todos os profissionais. Cada um exerce sua função com dedicação, sempre com o mesmo objetivo. Desde a primeira vez em que infartei e fiquei internado aqui, só tenho a agradecer”, disse.

Ampliação da estrutura

A estrutura tecnológica da unidade também foi reforçada com a aquisição de um novo angiógrafo em 2024, permitindo que o setor de hemodinâmica passasse a operar com dois equipamentos. Com isso, o número de procedimentos realizados no setor aumentou 33% em 2025 em comparação com o ano anterior.

Segundo o chefe do setor de Hemodinâmica, Gabriel Kanhouche, a ampliação da estrutura contribuiu para acelerar diagnósticos e intervenções. “Conseguimos expandir a oferta de exames e procedimentos, o que impacta diretamente na rapidez do diagnóstico e no início do tratamento”, afirmou.

Após o atendimento hospitalar, os pacientes seguem em acompanhamento ambulatorial, garantindo a continuidade do cuidado e o monitoramento da evolução clínica.

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