Luiz Carlos Bordoni (*)
As notícias que se acumulam nos últimos dias não são apenas mais um capítulo da política brasileira. Elas revelam algo mais profundo e inquietante: uma crise de confiança nas instituições.
A reportagem de O Globo trouxe à tona mensagens que teriam sido enviadas pelo banqueiro Daniel Vorcaro ao ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, no dia em que foi preso. O ministro afirma que não recebeu as mensagens e classifica a informação como “ilação mentirosa”. Mas a própria investigação indica que os textos estavam registrados no celular apreendido pela polícia.
Não se trata de julgamento apressado. Muito menos de simplificação. Trata-se de exigir aquilo que toda democracia precisa para sobreviver: apuração rigorosa e transparência absoluta.
O problema é que o episódio não surge isolado. O nome de Vorcaro aparece relacionado a diversas figuras importantes da política e do Judiciário — ministros, governadores, parlamentares. Em paralelo, surgem denúncias sobre suposta venda de decisões no Superior Tribunal de Justiça e investigações envolvendo policiais civis acusados de negociar impunidade e lavar dinheiro para o crime organizado.
No Congresso, outro episódio reforça o clima de tensão institucional: a decisão do presidente do Senado de autorizar a quebra de sigilo bancário do filho do presidente Lula acabou sendo suspensa pelo ministro do STF Flávio Dino.
Quando fatos assim se acumulam, a pergunta inevitável não é jurídica. É moral e institucional: Que homens nos governam? E que instituições estão, de fato, protegendo o país?
A democracia não se sustenta apenas em leis ou em cargos. Sustenta-se na confiança pública. Quando essa confiança começa a se deteriorar, o risco não é apenas político. É civilizatório.
(*) Luiz Carlos Bordoni é Jornalista
