Brasília, 07/03/2026

Defesa de Daniel Vorcaro pede que  STF investigue vazamento de mensagens

Defesa de Daniel Vorcaro pede que  STF investigue vazamento de mensagens

A defesa do empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de um inquérito para apurar o vazamento de mensagens atribuídas a conversas entre o banqueiro e autoridades públicas, incluindo o ministro Alexandre de Moraes. A informação foi divulgada pelos advogados do empresário em nota nesta sexta-feira (6).

De acordo com a defesa, trechos de diálogos que teriam sido extraídos de celulares apreendidos no âmbito das investigações passaram a circular em reportagens nos últimos dias. Os advogados argumentam que o material pode ter sido divulgado de forma parcial ou até editado, o que, segundo eles, pode levar a interpretações equivocadas sobre o conteúdo das conversas.

No pedido encaminhado ao STF, os representantes do empresário solicitam a abertura de investigação para identificar quem teria sido responsável pela divulgação de informações que estavam sob sigilo. As mensagens teriam origem nos aparelhos celulares recolhidos durante a apuração que envolve o banqueiro.

Questionamentos

A defesa afirma que o espelhamento dos dados dos celulares só foi entregue aos advogados em 3 de março de 2026. Segundo o relato, o disco rígido com as informações foi lacrado imediatamente após a entrega, na presença da autoridade policial responsável, dos advogados e de um tabelião, como forma de preservar o sigilo do material.

Apesar disso, conteúdos que supostamente teriam sido retirados desses aparelhos começaram a ser divulgados na imprensa antes que a própria defesa tivesse acesso integral às informações. Por esse motivo, os advogados pedem que a polícia informe quem teve acesso aos dados armazenados nos dispositivos apreendidos.

Os representantes de Vorcaro destacam que o objetivo do pedido não é investigar jornalistas nem pessoas que eventualmente tenham recebido as informações. O foco, segundo eles, é identificar se algum responsável pela custódia do material sigiloso descumpriu o dever funcional ao permitir a divulgação das mensagens.

Na nota divulgada, a defesa afirma esperar que eventuais responsáveis por quebrar o sigilo sejam identificados e responsabilizados. Os advogados também sustentam que a divulgação de trechos isolados pode expor pessoas sem ligação com a investigação e prejudicar a apuração dos fatos.

Conversas divulgadas

Uma reportagem do jornal O Globo afirmou que Vorcaro teria trocado mensagens por WhatsApp com o ministro Alexandre de Moraes em 17 de novembro de 2025, data em que o empresário foi preso pela primeira vez. Segundo o veículo, teriam sido enviadas nove mensagens entre a manhã e a noite daquele dia.

De acordo com a publicação, nas conversas o banqueiro teria comentado negociações em andamento para tentar reestruturar o Banco Master. Em um dos trechos mencionados, ele teria afirmado que buscava antecipar acordos com investidores e que parte de um entendimento com a financeira Fictor poderia ser anunciada ainda naquele dia.

A reportagem também relata que uma das respostas atribuídas a Moraes teria sido enviada por meio de um recurso de visualização única — ferramenta que permite que o conteúdo desapareça após ser aberto. A mensagem teria sido escrita previamente em um bloco de notas, transformada em imagem e enviada como captura de tela.

Procurada, a assessoria do ministro Alexandre de Moraes afirmou que ele não recebeu as mensagens citadas. Em nota, classificou a informação como uma “ilação mentirosa” e afirmou que a divulgação teria como objetivo atacar o STF.

Outras mensagens

Nos últimos dias, outros diálogos atribuídos a Vorcaro também vieram a público. Parte dessas conversas aparece em documentos que chegaram à comissão parlamentar que investiga irregularidades no sistema previdenciário.

Entre elas, há mensagens trocadas com a influenciadora Martha Graeff, com quem o empresário mantinha relacionamento à época. Em uma delas, Vorcaro comenta um encontro realizado em dezembro de 2024 com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio do Planalto.

Na conversa, o empresário teria descrito a reunião como positiva e relatado que o presidente convocou para o encontro o então diretor do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo — apontado à época como possível futuro presidente da instituição — além de três ministros.

O encontro mencionado ocorreu antes de o caso envolvendo suspeitas de fraude financeira relacionadas ao Banco Master ganhar repercussão pública.

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