Luiz Carlos Bordoni (*)
A nova pesquisa do Datafolha, divulgada neste sábado pelo jornal Folha de S.Paulo, revela um cenário político que merece atenção. Ainda que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva apareça numericamente à frente em todos os cenários de segundo turno testados, a tendência captada pelo levantamento é clara: a distância entre o governo e a oposição diminuiu.
No confronto mais emblemático, Lula aparece com 46% contra 43% do senador Flávio Bolsonaro. A diferença está dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. O dado mais significativo, porém, está na evolução da série: em dezembro, Lula tinha 51% contra 36% do adversário. Ou seja, em poucos meses a vantagem caiu de 15 para apenas 3 pontos.
Esse movimento indica duas tendências simultâneas. De um lado, há um desgaste natural de governo — comum em administrações que enfrentam dificuldades econômicas, tensão política e expectativas sociais elevadas. De outro, a oposição demonstra capacidade de reorganização, sobretudo no campo conservador.
Nos demais cenários, o presidente também mantém vantagem, mas sem grande folga. Contra o governador paulista Tarcísio de Freitas, Lula tem 45% contra 42%. Diante do paranaense Ratinho Júnior, o placar é de 45% a 41%. Já contra o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, a vantagem sobe para dez pontos: 46% a 36%.
Há ainda outro dado relevante: quando o candidato governista é o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o quadro muda. Contra Flávio Bolsonaro, Haddad aparece com 41% contra 43%. Nesse cenário, o bolsonarismo assume a dianteira.
Politicamente, a leitura mais prudente é que o país permanece profundamente dividido. O lulismo continua competitivo, mas já não apresenta a mesma folga eleitoral observada em momentos anteriores. A oposição, por sua vez, segue fragmentada em nomes — Tarcísio, Ratinho, Caiado, entre outros —, mas mantém um eleitorado consistente.
Ainda falta muito tempo para 2026. Pesquisas são fotografias do momento, não previsões definitivas. Mesmo assim, elas captam o humor da sociedade. E o humor que emerge desta sondagem sugere um Brasil novamente polarizado, em que qualquer disputa presidencial tende a ser apertada.
No fundo, o recado do eleitor parece simples: ninguém tem vitória garantida. O jogo político está aberto — e, ao que tudo indica, continuará assim por um bom tempo.
(*) Luiz Carlos Bordoni é Jornalista


