O senador Flávio Bolsonaro intensificou nas últimas semanas as articulações para conquistar o apoio do governador do Paraná, Ratinho Júnior, a um eventual projeto presidencial nas eleições de 2026. A aproximação, no entanto, tem avançado com cautela e enfrenta resistências dentro do Partido Social Democrático (PSD), partido do governador.
Segundo relatos de interlocutores ouvidos por colunistas políticos e dirigentes partidários, a conversa mais recente ocorreu em Brasília, na quarta-feira (11), e foi conduzida pelo senador Rogério Marinho, que atua como principal articulador político do Partido Liberal (PL). A proposta apresentada ao governador paranaense foi a formação de uma aliança entre PL e PSD já no primeiro turno da disputa presidencial.
Nos bastidores, porém, aliados de Ratinho Júnior afirmam que o governador recebeu a proposta com cautela. A avaliação no entorno do chefe do Executivo paranaense é de que qualquer decisão sobre alianças nacionais depende antes de uma definição interna do PSD sobre sua estratégia para 2026.
O partido discute atualmente diferentes cenários para a eleição presidencial. Entre os nomes que circulam dentro da legenda estão os governadores Ronaldo Caiado e Eduardo Leite, que buscam se viabilizar como candidatos da sigla ao Palácio do Planalto.
Interlocutores relatam que Ratinho Júnior evitou assumir compromissos em nome do partido e teria sinalizado a Marinho que o tema precisará ser discutido internamente antes de qualquer anúncio. Uma nova rodada de conversas entre os grupos políticos está prevista para as próximas semanas.
Desconfiança
Além da indefinição nacional, o relacionamento entre os grupos políticos carrega um histórico recente de atritos. Integrantes do PSD no Paraná ainda lembram o episódio das eleições municipais de 2024 em Curitiba.
Na ocasião, havia um acordo para que o Partido Liberal integrasse a chapa do atual prefeito Eduardo Pimentel, aliado de Ratinho Júnior. No entanto, o ex-presidente Jair Bolsonaro decidiu apoiar publicamente a candidatura da jornalista Cristina Graeml, o que gerou desconforto entre dirigentes do PSD e também dentro do próprio PL local.
Aliados do governador avaliam que o episódio abalou a confiança entre os dois grupos políticos. Por isso, nas conversas mais recentes, interlocutores de Ratinho têm enfatizado a necessidade de reconstrução de confiança antes de qualquer acordo eleitoral mais amplo.
Recomposição
Com Bolsonaro afastado das articulações políticas, Flávio Bolsonaro e Rogério Marinho passaram a atuar diretamente na tentativa de reaproximação com o grupo de Ratinho Júnior. A estratégia envolve não apenas a disputa presidencial, mas também a construção de um arranjo eleitoral no Paraná para 2026.
Entre as alternativas avaliadas pelo PL está o apoio ao senador Sergio Moro, do União Brasil, caso ele confirme candidatura ao governo do estado. Outra hipótese discutida nos bastidores é manter o acordo político firmado em 2024, pelo qual o PSD apoiaria uma das vagas ao Senado para o PL, hoje associada ao deputado federal Filipe Barros.
Há ainda dirigentes do PL que defendem uma solução negociada com o próprio grupo de Ratinho Júnior. Nesse cenário, o partido poderia apoiar um nome ligado ao governador, como Guto Silva, considerado um dos aliados mais próximos do chefe do Executivo paranaense.


