Na tarde desta quinta-feira (19), representantes de caminhoneiros decidiram adiar a greve que estava marcada para sexta-feira (20) após encontro em Santos (SP) com motoristas autônomos e a Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava). As informações são da Band.
O protesto seria contra a alta do óleo diesel, que subiu quase 19% desde o fim de fevereiro. Segundo os caminhoneiros, o aumento, pressionado pelo mercado internacional de petróleo, tornou o transporte de cargas caro e difícil de sustentar.
Após reunião nesta quarta-feira (18), o presidente da Abrava, Wallace Landim, conhecido como “Chorão”, havia adiantado que a categoria pretendia aguardar a publicação oficial de medidas do governo.
“Nós vamos aguardar a publicação no Diário Oficial para saber de que forma será feito o travamento eletrônico, se via MP ou por outro meio. A partir de amanhã informaremos se a medida atende ao segmento, mas permanecemos em estado de paralisação.”Wallace Landim
Ações do governo
Para evitar uma paralisação, o governo federal prometeu aumentar a fiscalização em postos de combustíveis e distribuidoras, para impedir que os preços do diesel subam de forma abusiva.
Também anunciou a isenção de dois impostos federais, PIS e Cofins, sobre o diesel, e disse que vai negociar com os estados para reduzir o ICMS, imposto estadual sobre combustíveis.
Em resposta às reivindicações dos caminhoneiros, foi publicada nesta quinta-feira a Medida Provisória nº 1.343/2026, que reforça as regras sobre o valor mínimo que os transportadores devem receber pelo frete e oferece mais proteção à categoria.
PublicidadeA MP estabelece que todas as viagens de transporte precisam ter o Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT), que registra o valor pago pelo frete e o valor mínimo permitido por lei.
Com isso, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) poderá fiscalizar melhor e até impedir que viagens sejam feitas com valores abaixo do mínimo.
A medida passa a valer imediatamente, mas precisa ser analisada pelo Congresso Nacional em até 120 dias para continuar valendo. Durante esse período, o texto pode ser mantido, alterado ou rejeitado.
Confederação se posiciona
Em nota, a Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA) explicou que os caminhoneiros reclamam pois têm dificuldade de repassar o aumento do diesel para o preço do frete, mesmo existindo um valor mínimo por lei.
A entidade destacou que a situação fica pior pela suspensão de processos judiciais que discutem o cumprimento desse piso, por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).
A CNTA disse ter conversado com o ministro dos Transportes, Renan Filho, e pediu melhorias, como bloqueio de códigos de transporte com valores abaixo do piso e atualização mais rápida da tabela de frete, que atualmente é ajustada semanalmente pela Agência Nacional do Petróleo (ANP).
Segundo a confederação, há pontos com muitos caminhoneiros aguardando a publicação da medida provisória prometida pelo governo nesta quinta (19). Se as medidas atenderem às demandas, a greve pode ser evitada; caso contrário, a paralisação pode acontecer.
A CNTA reforçou que não organiza greves, mas que a decisão sobre paralisação cabe à categoria em assembleia. A entidade diz que apoiará movimentos que representem os interesses coletivos, respeitando a lei e a ordem pública. (IG)