O senador Sérgio Moro deve se filiar ao PL na próxima terça-feira, 24 de março, em um movimento que consolida sua pré-candidatura ao governo do Paraná em 2026 e reposiciona a direita no estado. A mudança também abre caminho para uma aliança com o Novo e para a formação de um palanque ao lado do ex-procurador Deltan Dallagnol, resgatando o capital político da Lava Jato.
Segundo dirigentes partidários, Moro será o nome do PL na disputa pelo Palácio Iguaçu. Dallagnol, por sua vez, é cotado para disputar o Senado, numa composição voltada ao eleitorado conservador e aos setores que ainda associam os dois à pauta do combate à corrupção. O deputado federal Filipe Barros (PL) também aparece entre os nomes lembrados para a corrida à Casa Alta.
A saída de Moro do União Brasil ocorre após o senador perder espaço para viabilizar sua candidatura dentro da legenda. No Paraná, a federação entre União Brasil e PP mantém interlocução com a base do governador Ratinho Junior (PSD), que trabalha para construir um nome de sua confiança para a sucessão estadual.
A filiação de Moro ao PL também atende a um interesse nacional do bolsonarismo. Com Ratinho Junior sendo tratado no PSD como possível presidenciável, o grupo do ex-presidente Jair Bolsonaro buscava garantir um palanque competitivo no Paraná, um dos estados considerados estratégicos para a direita em 2026.
A aproximação entre Moro e Dallagnol recoloca no centro da disputa dois dos nomes mais conhecidos da Lava Jato. Moro foi o juiz responsável pelos processos da operação em Curitiba e ganhou projeção nacional como símbolo do combate à corrupção. Dallagnol comandou a força-tarefa do Ministério Público Federal e se tornou um dos principais porta-vozes da investigação.
Os dois, porém, também carregam o desgaste acumulado após os questionamentos à Lava Jato. A operação passou a ser criticada por supostos excessos e pela atuação coordenada entre acusação e magistrado, revelada por mensagens divulgadas pela imprensa. Moro ainda enfrentou críticas ao deixar a magistratura para assumir o Ministério da Justiça de Bolsonaro, enquanto Dallagnol teve o mandato de deputado cassado pela Justiça Eleitoral.
Mesmo assim, ambos ainda preservam influência junto a uma parcela do eleitorado de direita, especialmente no Paraná, onde a Lava Jato mantém peso simbólico. A entrada de Moro na disputa aumenta a pressão sobre o grupo de Ratinho Junior, que ainda não definiu quem apoiará ao governo estadual.
Com a ida para o PL, Moro tenta se firmar como nome competitivo na sucessão paranaense, agora amparado pelo bolsonarismo e por uma articulação que recoloca a Lava Jato no centro do debate político regional.


