A intensificação da guerra entre Irã, Estados Unidos e Israel passou a atingir diretamente os países árabes do Golfo e colocou sob forte pressão a estratégia de contenção adotada por Arábia Saudita, Catar, Kuwait e Emirados Árabes Unidos, segundo informações publicadas pela Reuters e pela Associated Press.
De acordo com a Reuters, a escalada ganhou novo impulso depois de ataques contra instalações energéticas iranianas, levando Teerã a ameaçar e depois atingir infraestrutura de energia em países do Golfo considerados alinhados aos interesses de Washington. A agência informou que autoridades iranianas advertiram sobre possíveis ações contra ativos energéticos da região antes da ampliação da ofensiva retaliatória.
Segundo a Reuters, os ataques e seus efeitos alcançaram instalações estratégicas em diferentes pontos do Golfo, incluindo estruturas em Ras Laffan, no Catar, refinarias no Kuwait e ativos energéticos na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos. A agência relatou que a nova fase do conflito expôs a vulnerabilidade de polos de petróleo e gás da região, justamente num momento em que esses governos buscavam evitar envolvimento direto na guerra.
A Associated Press informou que o avanço do conflito reduziu o espaço diplomático dos governos do Golfo. Segundo a AP, o Catar passou a rejeitar um papel de mediação depois de também ser atingido, enquanto Arábia Saudita e Bahrein interceptaram mísseis iranianos, num sinal de que a tentativa de neutralidade está cada vez mais difícil de sustentar.
No campo diplomático, a crise também já provoca reações mais duras. A Reuters informou que a Arábia Saudita determinou a saída do adido militar iraniano, de seu assistente e de outros integrantes da embaixada do Irã, alegando ataques iranianos contra seu território. Para a agência, a medida representa mais um abalo na tentativa de acomodação entre Riad e Teerã.
A preocupação internacional se concentra também no risco para o abastecimento global de energia. Segundo a Reuters, os chanceleres do G7 declararam apoio aos parceiros regionais e defenderam ações para proteger as rotas marítimas e a segurança energética, com atenção especial ao Estreito de Ormuz.
Ainda de acordo com a Reuters, a tensão aumentou depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou atacar usinas de energia iranianas caso o Estreito de Ormuz não seja reaberto integralmente em 48 horas. Em resposta, Teerã voltou a ameaçar ativos energéticos e hídricos associados aos interesses americanos na região.
No mercado internacional, o reflexo da crise já aparece nos preços. A Reuters relatou que o petróleo Brent encerrou a semana em alta expressiva, diante do temor de novos danos à infraestrutura do Golfo e de interrupções prolongadas no transporte de petróleo e gás.
Com refinarias, polos de gás e corredores logísticos sob ameaça, a avaliação que emerge das informações publicadas por Reuters e AP é que a política de contenção dos Estados do Golfo se tornou cada vez mais frágil. A guerra já não se mantém ao redor dessas monarquias: ela passou a atingir diretamente a base energética e estratégica da região.

