Um movimento em massa de prefeitos do Paraná provocou forte abalo interno no Partido Liberal (PL) no estado. De acordo com lideranças da própria sigla, 48 dos 53 prefeitos filiados decidiram deixar o partido após a entrada do ex-juiz e ex-senador Sergio Moro na legenda.
A informação foi confirmada pelo deputado federal Fernando Giacobo, uma das principais lideranças do PL no Paraná. Segundo ele, além dos prefeitos que já formalizaram a saída, três gestores estão em período de férias e ainda não oficializaram suas decisões, enquanto um permanece indeciso sobre o futuro partidário.
Com isso, restaria apenas um prefeito ainda vinculado ao PL no estado — embora, segundo Giacobo, nem mesmo a direção local saiba ao certo qual gestor optou por permanecer na sigla, evidenciando o grau de desorganização interna após a debandada.
A crise no partido ocorre em meio à reconfiguração do cenário político paranaense, impulsionada pela movimentação de Sergio Moro, que voltou ao PL após passagem por outras legendas. A chegada do ex-juiz, figura de projeção nacional desde a Operação Lava Jato, gerou desconforto entre lideranças locais, especialmente prefeitos que temem perda de protagonismo político e divergências na condução da sigla no estado.
Nos bastidores, aliados indicam que a saída coletiva também está relacionada a disputas por espaço nas eleições municipais e ao controle das estruturas partidárias regionais. Prefeitos avaliam que a presença de Moro pode centralizar decisões e alterar alianças já consolidadas no interior do estado.
A debandada em massa tende a impactar diretamente a capacidade do PL de articular candidaturas competitivas no Paraná, além de enfraquecer a capilaridade da legenda em um estado considerado estratégico no cenário nacional.
Procurada, a direção nacional do Partido Liberal ainda não se manifestou oficialmente sobre o episódio. Nos bastidores, contudo, interlocutores avaliam que a cúpula da sigla deve atuar para conter novas saídas e reorganizar a base no estado.
Especialistas apontam que o episódio pode ter reflexos diretos nas eleições de 2026, tanto na disputa pelo governo estadual quanto na composição de bancadas no Congresso Nacional, já que o apoio de prefeitos é considerado peça-chave na mobilização eleitoral.
A expectativa agora é sobre o destino partidário dos prefeitos dissidentes, que devem migrar para siglas de centro e centro-direita com maior estrutura local, redesenhando o equilíbrio de forças políticas no Paraná.


