A possibilidade de um acordo entre Estados Unidos e Irã para encerrar o conflito parece cada vez mais distante. A pouco mais de 24 horas do prazo imposto pelo presidente Donald Trump, as negociações avançam lentamente e o risco de uma escalada militar permanece elevado, segundo a NBC News.
Durante coletiva de imprensa na Casa Branca, Trump endureceu o tom ao afirmar que o Irã enfrentará consequências severas caso não aceite um acordo. “Estamos dando a eles até amanhã, às 8 horas, horário do leste, e depois disso, eles não terão mais pontes. Não terão mais usinas de energia”, declarou, de acordo com a reportagem.
O presidente também reiterou a ameaça de intensificar ataques à infraestrutura iraniana, chegando a afirmar que poderia levar o país à “Idade da Pedra” caso não haja avanço nas negociações — especialmente no que diz respeito à reabertura do estratégico Estreito de Ormuz. Embora tenha reconhecido que a proposta mais recente enviada por Teerã é “significativa”, Trump disse que ela ainda está longe de ser suficiente, informou a NBC News.
Do lado iraniano, a posição segue firme: o governo exige o fim permanente da guerra e rejeita propostas de cessar-fogo temporário. Entre as alternativas em discussão está um acordo de trégua de 45 dias, encaminhado por meio do Paquistão a representantes dos dois países, segundo autoridades ouvidas pela emissora.
Ainda de acordo com a NBC News, a proposta faz parte de um conjunto mais amplo de negociações indiretas, mas não recebeu aval da Casa Branca. “O único que pode decretar um cessar-fogo sou eu”, afirmou Trump durante um evento de Páscoa. “E eu não decretei nenhum.”
A agência estatal iraniana IRNA informou que Teerã apresentou um plano com dez pontos, reforçando a exigência de um cessar definitivo das hostilidades. O país também mantém desconfiança em relação a acordos temporários, lembrando episódios anteriores em que ataques ocorreram mesmo durante períodos de diálogo.
Nos bastidores, os contatos seguem ocorrendo por meio de mediadores como Paquistão, Egito e Turquia. A NBC News relata que houve troca de mensagens nas últimas semanas, incluindo conversas envolvendo autoridades americanas e lideranças regionais, além de contatos entre diplomatas iranianos e enviados especiais dos EUA.
Apesar disso, Trump reconheceu dificuldades no processo de comunicação com Teerã. “O maior problema é que eles não conseguem se comunicar. Estamos trocando mensagens como se fosse há dois mil anos, com bilhetes sendo levados de um lado para o outro”, afirmou, conforme a reportagem.
Com o prazo se aproximando rapidamente e poucas indicações de avanço concreto, o cenário aponta para um momento decisivo — que pode definir se a crise seguirá pelo caminho diplomático ou por uma nova e perigosa escalada militar.



