O partido de oposição Tisza venceu as eleições na Hungria neste domingo (12) e conquistou maioria no Parlamento, encerrando 16 anos de governo do primeiro-ministro Viktor Orbán, um dos principais nomes da extrema direita global. Com 95,63% das urnas apuradas, o Tisza conquistou 137 cadeiras no Parlamento de 199 assentos. Liderada por Péter Magyar, de centro-direita, a legenda formará o próximo governo. Informações do G1 e agências internacionais.
Segundo autoridades eleitorais, a coalizão de oposição obteve vitória ampla, capitalizando o desgaste do governo após anos de críticas relacionadas ao enfraquecimento de instituições democráticas, tensões com a União Europeia e desafios econômicos recentes. Observadores internacionais classificaram o pleito como competitivo, embora tenham apontado preocupações sobre o ambiente midiático e a equidade da disputa.
Orbán, líder do Fidesz, era uma das figuras mais longevas do poder na Europa. Desde que retornou ao cargo em 2010, utilizou maiorias parlamentares para promover mudanças constitucionais e reformas que ampliaram o poder do Executivo e aumentaram sua influência sobre o Judiciário, o sistema eleitoral e instituições independentes — medidas criticadas por entidades como a Human Rights Watch e pela própria União Europeia.
Durante seu governo, consolidou uma agenda nacionalista, com forte influência sobre a mídia e frequentes embates com Bruxelas em temas como imigração, Estado de direito e políticas sociais. Esse modelo foi descrito pelo próprio líder como uma “democracia iliberal”, conceito amplamente analisado por publicações como The Economist e Financial Times.
Aliado do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Orbán se posicionou como uma das principais vozes conservadoras no cenário internacional, aproximando-se de líderes com agendas semelhantes e defendendo políticas contrárias à imigração em massa.
A oposição fez campanha centrada na restauração de instituições democráticas, no combate à corrupção e na reaproximação com a União Europeia. Em seu discurso de vitória, o líder oposicionista afirmou que “a Hungria virou uma página” e prometeu governar para todos os cidadãos.
Analistas avaliam que o resultado pode ter impactos além das fronteiras húngaras, especialmente dentro da União Europeia, onde Orbán frequentemente atuava como contraponto a consensos do bloco. A derrota também é vista como um indicativo de que eleitores na Europa Central e Oriental podem estar mais abertos à alternância de poder após longos períodos de governos dominantes.
A transição de governo deve ocorrer nas próximas semanas, enquanto líderes europeus acompanham atentamente os desdobramentos políticos e econômicos no país, marcando o fim de uma das lideranças mais duradouras da política europeia contemporânea.
Centralização do poder
Ao longo de 16 anos no comando da Hungria, Viktor Orbán consolidou um modelo de governo marcado pela forte centralização de poder e por mudanças profundas nas instituições do país.
Desde 2010, seu partido, o Fidesz, utilizou maiorias parlamentares para alterar a Constituição e implementar reformas que ampliaram o controle do Executivo sobre o Judiciário, o sistema eleitoral e órgãos independentes. Esse processo foi frequentemente criticado pela União Europeia e por organizações internacionais.
O período também foi caracterizado por maior influência governamental sobre a mídia, com redução do espaço para veículos independentes e fortalecimento de grupos alinhados ao governo.
Na política externa, Orbán adotou uma linha nacionalista e confrontou posições da União Europeia, especialmente em temas como imigração e Estado de direito, ao mesmo tempo em que buscou alianças alternativas e se aproximou de lideranças conservadoras, como Donald Trump.
Na economia, combinou políticas de estímulo interno, maior presença estatal e incentivos à natalidade, enquanto críticos apontam concentração de poder econômico entre aliados.
O próprio Orbán definiu seu modelo como uma “democracia iliberal”: um sistema com eleições regulares, mas com freios institucionais enfraquecidos — marca central de seu longo período no poder.


