A economia global entrou em uma fase de forte deterioração, pressionada pela escalada do conflito com o Irã, segundo análise publicada pelo El País. O que no início do ano era visto como um cenário relativamente estável e promissor transformou-se, em poucos meses, em um ambiente de elevada incerteza. Mesmo com a recente trégua entre Estados Unidos e Irã, os riscos permanecem elevados, especialmente diante da possibilidade de uma crise energética de grandes proporções.
De acordo com a reportagem do El País, o impacto do conflito já começa a se materializar, e a principal dúvida agora é a intensidade dos danos à economia mundial. O Fundo Monetário Internacional alerta que, em um cenário mais adverso — com a guerra se estendendo e o preço do petróleo atingindo cerca de US$ 110 por barril — o mundo pode enfrentar uma recessão global, acompanhada de inflação elevada, estimada em torno de 6%.
O economista-chefe do FMI, Pierre-Olivier Gourinchas, afirmou ao El País que a dimensão do impacto dependerá diretamente da duração e da intensidade do conflito, bem como do tempo necessário para a normalização da produção e do transporte de energia. Segundo ele, esses fatores são, por natureza, imprevisíveis, o que dificulta projeções mais precisas.
Ainda conforme o jornal espanhol, o relatório Perspectivas da Economia Mundial (WEO), divulgado pelo FMI, traz um tom crítico em relação às ações de Estados Unidos e Israel, apontando que a ofensiva contra Teerã, iniciada no fim de fevereiro, alterou significativamente o cenário econômico global. Até então, havia expectativa de revisão positiva das projeções de crescimento.
A matéria destaca que a reação do Irã, incluindo o bloqueio do Estreito de Ormuz — responsável pelo escoamento de cerca de um quinto do petróleo mundial — provocou forte turbulência nos mercados de energia. Os ataques a infraestruturas energéticas ampliaram a instabilidade e passaram a afetar o fornecimento de petróleo, gás natural e insumos essenciais para cadeias industriais globais.
Antes da escalada do conflito, o ambiente econômico internacional apresentava sinais positivos, com redução de tensões tarifárias, avanço da inteligência artificial, queda de juros e condições financeiras mais favoráveis. No entanto, segundo o El País, a guerra no Oriente Médio passou a atuar como um fator de pressão negativa, impactando preços de commodities, expectativas inflacionárias e o custo do crédito.
Para lidar com esse cenário incerto, o FMI traçou diferentes hipóteses. No cenário-base, em que o conflito permanece limitado e seus efeitos começam a se dissipar até meados de 2026, a economia global deverá crescer 3,1% em 2026 e 3,2% em 2027 — números levemente inferiores às projeções anteriores. Ainda assim, a inflação global tende a subir, alcançando 4,4% em 2026 antes de recuar para 3,7% em 2027, conforme relatado pelo El País.



