Brasília, 09/06/2026

Quaest: disputa polarizada; Lula ganha no 1º e empata no 2º

Luiz Carlos Bordoni

A nova rodada da pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira (15),  confirma um cenário já conhecido, mas com nuances importantes: a  polarização segue dominante na corrida presidencial de 2026. O presidente  Luiz Inácio Lula da Silva aparece na liderança no primeiro turno, com 37%  das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro consolida-se como principal adversário, com 32%. A distância, embora ainda favorável ao atual presidente, indica um quadro competitivo e sem definição antecipada.

No entanto, é no segundo turno que o cenário ganha maior densidade política. A pesquisa aponta empate técnico entre os dois principais nomes: Flávio Bolsonaro tem 42% contra 40% de Lula, dentro da margem de erro. O dado mais relevante não é apenas a proximidade numérica, mas a mudança de dinâmica: levantamentos anteriores indicavam vantagem mais confortável de Lula, e agora o quadro sugere um ambiente mais aberto e disputado. É um  sinal de erosão relativa da liderança do presidente, já apontado em outras rodadas da Quaest.

Outro ponto central é a redução da rejeição dos dois principais candidatos. Lula registra 55% de eleitores que dizem não votar nele (queda de um ponto), enquanto Flávio Bolsonaro caiu de 55% para 52%. A diminuição simultânea indica um eleitorado menos cristalizado na rejeição, o que, em tese, amplia a margem de crescimento para ambos.Esse dado dialoga diretamente com outro indicador relevante: 43% dos entrevistados afirmam que ainda podem mudar o voto. Ou seja, quase metade do eleitorado permanece em aberto, o que mantém o cenário fluido e sujeito a alterações ao longo da campanha.Apesar da competitividade no segundo turno, Lula mantém vantagem consistente contra nomes da chamada “terceira via”. Contra Ronaldo Caiado, venceria por 43% a 35%; diante de Romeu Zema, por 43% a 36%; e contra Augusto Cury, por 44% a 23%. Esses números reforçam um padrão: fora do eixo principal da polarização, os adversários ainda não conseguem romper o teto eleitoral.

Na prática, isso mantém o desenho clássico: fragmentação no primeiro turno e concentração de forças no segundo, modelo que tem marcado as últimas eleições nacionais. A pesquisa também evidencia o peso crescente dos segmentos religiosos. Entre católicos, Lula lidera com 43%, contra 28% de Flávio Bolsonaro. Já entre evangélicos, o cenário se inverte: Flávio tem 43% contra 23% de Lula. O recorte reforça a segmentação do eleitorado e o papel das identidades culturais e religiosas como fatores estruturantes da disputa. Além disso, há um desafio específico para Flávio Bolsonaro: 45% dos  entrevistados avaliam que ele não é mais moderado do que seu pai, Jair  Bolsonaro. Isso indica dificuldade de dissociar sua imagem do núcleo político  original, o que pode limitar sua capacidade de expansão para além do eleitorado já consolidado.

O pano de fundo da disputa é o ambiente de avaliação do governo. A  desaprovação ao governo Lula subiu para 52%, o maior índice desde agosto  de 2025, enquanto a aprovação está em 43%. A percepção econômica  também pesa: 50% afirmam que a situação do país piorou no último ano, e  58% avaliam que o Brasil segue na direção errada. Esses indicadores ajudam a explicar o encurtamento da disputa no segundo turno. Em eleições presidenciais, a avaliação do governo costuma ser variável decisiva e, neste momento, ela atua como fator de pressão sobre o candidato à reeleição.

A pesquisa Genial/Quaest reforça duas conclusões principais. A primeira: a polarização segue estruturando a disputa, com Lula e Flávio Bolsonaro ocupando o centro do jogo político. A segunda: embora o presidente ainda lidere no primeiro turno e vença adversários fora desse eixo, o segundo turno se mostra cada vez mais competitivo.  Com quase metade do eleitorado ainda aberta a mudanças e indicadores de avaliação do governo em oscilação, o cenário permanece em construção e, como mostram os números, longe de qualquer definição antecipada.

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