A prisão do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, pela Polícia Federal, nesta quinta-feira (16), durante nova fase da Operação Compliance Zero, ocorre em meio a um cenário já delicado para a instituição financeira pública do Distrito Federal. A informação foi divulgada pelo G1 e confirmada pela GloboNews.
A operação investiga suspeitas de irregularidades envolvendo operações financeiras relacionadas ao Banco de Brasília (BRB) e ao caso Banco Master. Embora os detalhes da ação ainda não tenham sido integralmente divulgados, a nova fase inclui mandados de prisão e de busca e apreensão, aprofundando apurações que já vinham pressionando a imagem da instituição. Segundo informações publicadas pelo jornal O Globo, a investigação apura crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro ligados à aprovação de carteiras consideradas fraudulentas. A prisão foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, e o caso tramita sob sigilo.
Imóveis de luxo
Segundo o Brasil_247, a Polícia Federal identificou seis imóveis supostamente vinculados ao esquema, sendo quatro apartamentos de alto padrão em São Paulo e dois em Brasília. O valor total dos bens supera R$ 140 milhões, com unidades avaliadas individualmente em mais de R$ 30 milhões.
Entre os imóveis, está um apartamento no edifício Vizcaya Itaim, localizado próximo à avenida Faria Lima, uma das áreas mais valorizadas da capital paulista. O empreendimento conta com apenas 25 unidades, um por andar, e tem previsão de entrega para julho deste ano. Os preços variam entre R$ 30,1 milhões e R$ 46,2 milhões.
Outro imóvel citado na investigação fica no edifício Heritage, também no bairro do Itaim Bibi, conhecido como um dos mais caros do país. As unidades possuem entre 570 e 1.000 metros quadrados e podem alcançar valores de até R$ 42 milhões.
Defesa critica prisão
Segundo a CNN Brasil, o advogado Cleber Lopes, que atua na defesa de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, criticou a prisão do cliente nesta quinta-feira (16) e disse que ele não “cometeu crime algum”.
Costa foi alvo da nova fase da operação Compliance Zero, deflagrada pela PF (Polícia Federal). A quarta fase da operação cumpre dois mandados de prisão e sete de busca e apreensão, em São Paulo e no Distrito Federal. Essa etapa apura um esquema de lavagem de dinheiro para o pagamento de vantagens indevidas que teriam sido destinadas a agentes públicos. Estão sendo investigados os crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, crimes financeiros e organização criminosa.
“A defesa considera, num primeiro momento, a prisão absolutamente desnecessária. Mas, em respeito ao ministro André Mendonça [do STF], a defesa não vai fazer outras considerações acerca da decisão tomada, até que possa examiná-la com mais calma e possa tomar uma providência nos próprios autos”, disse.
Crise no BRB
Nos últimos anos, o BRB passou por um processo de expansão agressiva, ampliando sua atuação para além do Distrito Federal, com aquisição de carteiras, parcerias estratégicas e aumento relevante da base de clientes. Esse movimento, inicialmente visto como um reposicionamento competitivo no sistema financeiro, passou a ser alvo de questionamentos quanto à sustentabilidade e aos mecanismos de controle adotados.
Reportagens do G1, da GloboNews e da revista Fórum indicam que, paralelamente ao crescimento, surgiram dúvidas sobre a transparência de algumas operações e sobre o grau de exposição do banco a riscos financeiros e reputacionais. O envolvimento do nome do BRB no chamado caso Banco Master intensificou esse cenário de incerteza.
Desafios:
- Pressão reputacional: a sucessão de notícias negativas afetou a percepção do mercado e de clientes, especialmente diante de investigações em andamento;
- Questionamentos sobre governança: especialistas apontam possíveis fragilidades em mecanismos internos de compliance e controle;
- Risco político: por ser um banco público, o BRB também sofre influência direta do ambiente político, o que amplia a repercussão de crises;
- Desafios financeiros: apesar do crescimento recente, há dúvidas sobre a qualidade dos ativos adquiridos e a exposição a operações consideradas mais arriscadas.
Caso Master
O chamado caso Banco Master tornou-se um dos principais focos das investigações. Segundo informações já publicadas pela revista Fórum, o nome de Paulo Henrique Costa apareceu em apurações relacionadas a operações envolvendo o banco, o que contribuiu para o avanço das investigações que culminaram na operação desta quinta-feira.
Ainda não há confirmação oficial sobre o papel específico do ex-presidente do BRB nas irregularidades investigadas, nem sobre a extensão das possíveis responsabilidades. A Polícia Federal também não detalhou, até o momento, os elementos que fundamentaram a prisão.
Incertezas
Até agora, não foram divulgadas informações completas sobre o número de mandados cumpridos nesta fase da Operação Compliance Zero, nem sobre todos os alvos envolvidos. A defesa de Paulo Henrique Costa não havia se manifestado publicamente até a última atualização, segundo o g1.
O episódio aprofunda um momento de instabilidade para o Banco de Brasília, que agora precisa lidar simultaneamente com investigações em curso, desgaste institucional e a necessidade de preservar a confiança de clientes, investidores e do próprio governo do Distrito Federal.
Analistas avaliam que os próximos desdobramentos da investigação serão determinantes para o futuro da instituição, especialmente no que diz respeito à revisão de práticas de governança, à transparência das operações e à recuperação da credibilidade no mercado financeiro.



