Luiz Carlos Bordoni (*)
Se a derrota na indicação ao STF já foi histórica, uma eventual derrubada do veto à lei da dosimetria elevaria o problema a outro patamar. Não seria mais um revés isolado, seria um quadro político. Dois episódios distintos, duas derrotas seguidas e uma mensagem clara do Congresso: o governo não tem controle pleno da base.
Para Luiz Inácio Lula da Silva, isso pesa. E pesa muito, porque ocorre em um momento sensível, pré-eleitoral, de rearranjo de forças e de disputa por espaço.
O Congresso, nesses momentos, se move por interesse e, também, por oportunidade. Uma derrota fragiliza. Duas consolidam a fragilidade. Se o veto cair, o efeito será imediato.
A leitura será de derrota política ampliada e não apenas técnica. A oposição ganhará discurso, vai falar em perda de comando, em desgaste e vai explorar o episódio ao limite.
Mas o problema não estará apenas na narrativa, estará na prática. A relação com o Legislativo tende a ficar mais difícil, mais cara, mais instável. Cada votação passa a exigir mais negociação, mais concessão. Mais esforço e menos garantia de resultado.
Por outro lado, é preciso cautela, pois nem toda derrota gera crise duradoura, mas a sequência delas, sim, e é isso que está em jogo. O dia de hoje pode transformar um fato histórico em um problema político concreto ou pode mostrar reação do governo. O placar dirá, mas o risco existe. E é alto.
(*) Luiz Carlos Bordoni é Jornalista
