A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), afirmou ter “preocupação zero” diante da possível delação premiada do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. É bom lembrar que a hoje governadora nunca teve uma relação amistosa com o hoje ex-presidente do BRB, tanto que chegou a antecipar que ele não ficaria na sua equipe quando ela assumisse o GDF.
A declaração ocorre em meio a um cenário em que a chefe do Executivo local vem intensificando esforços para recuperar a saúde financeira do banco público e buscando apoio do governo federal para fortalecer as contas do Distrito Federal.
A proposta de delação premiada de Paulo Henrique Costa, segundo informações do colunista Lauro Jardim, começa a ganhar contornos mais definidos em negociações iniciais com a Procuradoria-Geral da República (PGR). O ex-presidente do BRB teria listado cerca de 20 episódios envolvendo negócios considerados heterodoxos e possíveis esquemas de fraude dos quais participou ou afirma ter conhecimento, especialmente em transações relacionadas ao Banco Master.
No contexto das investigações, há também a menção a uma gravação divulgada pela Polícia Federal (PF) em que Paulo Henrique Costa apareceria negociando apartamentos de luxo em São Paulo como suposta forma de propina, em diálogo com Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. O conteúdo é citado como um dos elementos que ampliam a pressão sobre os envolvidos e reforçam a apuração em curso.
De acordo com a coluna, o material inclui nomes de diferentes esferas do poder público e político. Entre os citados, alguns já esperados nos bastidores — como o ex-governador Ibaneis Rocha — e outros que surgiriam como novidade, incluindo a própria Celina Leão. A relação também mencionaria um ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), um dirigente partidário ligado ao Centrão, servidores de carreira do Banco Central e deputados distritais de Brasília. Parlamentares federais, como deputados e senadores, não estariam incluídos neste momento.
Ainda conforme a publicação, Paulo Henrique Costa promete apresentar provas para sustentar as acusações que pretende formalizar. As conversas entre sua defesa e a PGR já foram iniciadas, mas permanecem em estágio preliminar, sem acordo fechado até agora.
Paulo Henrique Costa foi preso preventivamente pela Polícia Federal em abril de 2026 e, desde então, está custodiado no Complexo Penitenciário da Papuda, no Distrito Federal. A defesa do PH já solicitou sua transferência, alegando falta de condições adequadas para garantir o sigilo necessário às negociações de delação premiada, além de pleitear o direito à prisão em sala de Estado-Maior ou em dependência da própria Polícia Federal. Até o momento, não há confirmação pública de que esse pedido tenha sido atendido.


