Brasília, 18/06/2026

Flávio pediu dinheiro a Vorcaro para filme sobre o pai. Banqueiro chegou a pagar R$ 61 milhões

O banqueiro Daniel Vorcaro esteve no centro de negociações milionárias para financiar o filme “Dark Horse”, produção cinematográfica inspirada na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. As revelações apontam que o senador Flávio Bolsonaro, filho mais velho do ex-presidente e apontado como pré-candidato ao Palácio do Planalto em 2026, atuou diretamente nas tratativas relacionadas aos pagamentos da produção. Informações do G1, TV Globo e O Globo.

De acordo com as informações divulgadas, Vorcaro teria destinado cerca de R$ 61 milhões ao projeto cinematográfico entre fevereiro e maio de 2025. Os recursos teriam sido enviados para um fundo sediado nos Estados Unidos ligado a aliados do ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Parte das transferências também teria ocorrido por meio da empresa Entre Investimentos e Participações, vinculada ao banqueiro.

O caso ganhou grande repercussão após a divulgação de mensagens e de um áudio enviado por Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro em setembro do ano passado. Na gravação, o senador demonstra preocupação com atrasos nos pagamentos e afirma que o filme atravessava um “momento decisivo”. Segundo ele, parcelas pendentes estavam gerando tensão entre produtores e envolvidos no projeto, além de colocar em risco o objetivo político e de imagem planejado para a produção.

Na conversa, Flávio também menciona compreender o “momento dificílimo” vivido pelo banqueiro. O comentário ocorreu poucos dias depois da rejeição, pelo Banco Central, da operação de compra do banco Master pelo BRB, episódio que agravou a situação financeira e institucional enfrentada pelo grupo de Vorcaro.

As trocas de mensagens entre os dois se intensificaram nos meses seguintes. Em outubro, Flávio Bolsonaro voltou a procurar o banqueiro afirmando que os responsáveis pelo longa estavam “no limite” em razão da demora nos repasses. No mesmo período, o senador convidou Vorcaro para um jantar com o ator Jim Caviezel, escolhido para interpretar Jair Bolsonaro no filme. O encontro acabou sendo marcado para a residência do banqueiro.

As investigações e documentos relacionados ao caso também apontam movimentações financeiras envolvendo empresas ligadas ao grupo de Vorcaro. Registros entregues à CPI do Crime Organizado do Senado mostram transferências milionárias realizadas em 2025, justamente no período em que ocorreram os aportes para a produção cinematográfica.

O publicitário Thiago Miranda, apontado como responsável por aproximar Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, confirmou ter intermediado as negociações para viabilizar os investimentos no filme. Segundo ele, os pagamentos acabaram interrompidos após o agravamento da crise envolvendo o banco Master. Ainda de acordo com os relatos, a participação de Vorcaro no financiamento da produção não seria tornada pública.

Outro aspecto que chamou atenção foi o teor reservado das conversas. Muitas mensagens teriam sido enviadas em formato de visualização única, mecanismo que impede o armazenamento permanente do conteúdo. Em uma das trocas divulgadas, Flávio escreveu ao banqueiro afirmando que estaria “sempre” ao lado dele e pediu uma definição sobre os pagamentos pendentes. Após uma resposta temporária enviada por Vorcaro, o senador respondeu apenas com a palavra “Amém”.

No dia seguinte a essa conversa, Daniel Vorcaro foi preso pela Polícia Federal no Aeroporto de Guarulhos. A prisão ocorreu no contexto de investigações que apuram suspeitas de fraudes financeiras, corrupção de servidores públicos e a atuação de uma suposta “milícia privada” utilizada para intimidar adversários e pessoas ligadas às apurações.

Questionado sobre o caso ao deixar o Supremo Tribunal Federal, Flávio Bolsonaro evitou entrar em detalhes e afirmou apenas que se tratava de “dinheiro privado” antes de encerrar rapidamente a entrevista.

A repercussão do episódio amplia a pressão sobre o entorno político de Jair Bolsonaro em um momento de reorganização da direita para a sucessão presidencial de 2026. O caso também lança novos questionamentos sobre a relação entre empresários do setor financeiro e figuras centrais do bolsonarismo, especialmente diante do avanço das investigações conduzidas por órgãos federais e acompanhadas pelo Congresso Nacional.

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