.A crise envolvendo a pré-campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro aprofundou as divisões internas no PL e ampliou o desgaste entre os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Segundo relato da CNN Brasil, o estopim da nova tensão foi o vazamento de um áudio em que Flávio Bolsonaro pede apoio financeiro ao empresário Daniel Vorcaro, no contexto das investigações do chamado Caso Master. Nos bastidores do bolsonarismo, aliados dos filhos de Bolsonaro passaram a suspeitar que o vazamento tenha partido de setores ligados à ala que defende Michelle como possível candidata à Presidência em 2026.
Integrantes próximos da ex-primeira-dama negam qualquer participação e afirmam que a repercussão decorre das investigações conduzidas pela Polícia Federal. Eles ressaltam ainda que Michelle segue dedicada aos cuidados pessoais e políticos de Jair Bolsonaro e não teria definido sequer uma eventual candidatura ao Senado.
A reportagem de Caio Junqueira, na CNN Brasil, aponta, no entanto, que a crise atual é consequência de disputas internas que vêm se acumulando há meses dentro do PL. Um dos principais episódios ocorreu no Ceará, quando Michelle Bolsonaro entrou em choque com setores do partido ao defender a candidatura de Priscila Costa. A movimentação contrariou acordos políticos articulados por aliados dos filhos do ex-presidente e acabou abrindo uma disputa sobre quem exerce maior influência no bolsonarismo.
O desgaste aumentou também em Santa Catarina, onde Michelle apoiou a deputada Carol de Toni, enquanto outra ala do partido trabalhava por alternativas diferentes. Esses conflitos aprofundaram a distância política entre a ex-primeira-dama e os filhos de Bolsonaro.
Outro episódio que agravou a tensão foi a posse do ministro Kassio Nunes Marques no TSE. O cumprimento cordial de Michelle ao ministro Alexandre de Moraes gerou forte irritação entre integrantes mais radicais do bolsonarismo.
Apesar das divergências, aliados afirmam que Jair Bolsonaro continua resistente à ideia de uma candidatura presidencial da esposa. O ex-presidente teme que Michelle seja alvo do mesmo ambiente de confrontos políticos e judiciais enfrentado por ele nos últimos anos.
Mesmo assim, Michelle é vista dentro do PL como um dos principais ativos eleitorais do partido, sobretudo junto ao eleitorado evangélico e feminino. Já no entorno de Flávio Bolsonaro cresce a avaliação de que a crise interna e os conflitos entre aliados podem acabar causando mais desgaste político do que o próprio conteúdo das investigações.

