Brasília, 17/06/2026

Deolane Bezerra é presa por atuar como ‘caixa” de lavagem de dinheiro do PCC

 A influenciadora e advogada Deolane Bezerra foi presa na Operação Vérnix, conduzida pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo, sob suspeita de atuar em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Informações do G1. 

A investigação aponta que Deolane teria servido como uma espécie de “caixa do crime organizado”, recebendo recursos provenientes da facção e ajudando a ocultar a origem ilícita do dinheiro.

De acordo com os investigadores, o esquema funcionava por meio de depósitos feitos em contas pessoais e empresariais ligadas à influenciadora. Os valores eram misturados a recursos de outras atividades financeiras e posteriormente retornavam ao PCC, dificultando o rastreamento pelas autoridades.

Uma transportadora de cargas localizada em Presidente Venceslau, no interior paulista, teria sido usada para movimentar parte do dinheiro ilícito. A Justiça determinou o bloqueio de R$ 27 milhões em bens e valores ligados a Deolane.

O delegado Edmar Caparroz afirmou que a influência e o patrimônio acumulado por Deolane ajudariam a dar aparência legal às operações financeiras do grupo criminoso. Segundo ele, a investigação identificou um complexo fluxo de movimentações bancárias envolvendo contas de pessoas físicas e jurídicas, caracterizando a etapa de “dissimulação” do processo de lavagem de dinheiro, quando os recursos são afastados de sua origem criminosa.

A operação também teve como alvo Marcos Willians Herbas Camacho, apontado como chefe máximo da facção e que já está preso, além de familiares e supostos operadores financeiros do grupo. Entre os investigados estão Everton de Souza, conhecido como “Player”, apontado como responsável pela movimentação financeira do PCC, e Paloma Sanches Herbas Camacho, sobrinha de Marcola, localizada em Madri, na Espanha.

A origem da investigação remonta a 2019, quando bilhetes e manuscritos foram apreendidos em um presídio de Presidente Venceslau. Durante a análise do material, os investigadores encontraram referências a uma “mulher da transportadora”, apontada como responsável por obter informações sobre agentes públicos para auxiliar em ações planejadas pela facção criminosa. Em 2021, a Operação Lado a Lado apreendeu o celular de Ciro Cesar Lemos, considerado operador central do esquema. O aparelho revelou mensagens, imagens e registros bancários que indicariam conexões financeiras entre a transportadora, integrantes do PCC e Deolane Bezerra.

Segundo a polícia, imagens encontradas no celular mostram depósitos direcionados às contas da influenciadora e de Everton de Souza. O delegado Edmar Caparroz declarou que o vínculo inicial de Deolane com a transportadora levou os investigadores a aprofundarem a análise de sigilos bancário e fiscal, o que teria revelado conexões com outras ramificações do crime organizado.

As investigações também apontam que, entre 2018 e 2021, Deolane recebeu mais de R$ 1 milhão em depósitos fracionados inferiores a R$ 10 mil — prática conhecida como “smurfing”, utilizada para evitar alertas automáticos de órgãos de fiscalização financeira. De acordo com a polícia, Everton de Souza indicava a conta da influenciadora para realizar os chamados “fechamentos” mensais da organização criminosa.

Outro ponto levantado pela investigação envolve quase 50 depósitos feitos em empresas ligadas a Deolane, totalizando cerca de R$ 716 mil. Os valores partiram de uma empresa que se apresenta como banco de crédito, registrada em nome de um homem residente na Bahia que teria renda mensal de aproximadamente um salário mínimo. A polícia afirma não ter encontrado registros de pagamentos ou contratos que justificassem as transferências, o que reforçaria a suspeita de ocultação de recursos ilícitos.

Além disso, os investigadores afirmam que não foram identificadas prestações de serviços advocatícios que justificassem os altos valores recebidos pela influenciadora e suas empresas. A defesa de Deolane informou apenas que estava tomando conhecimento dos fatos. Já os advogados dos demais investigados disseram que ainda analisariam o caso.

A reportagem ainda destaca que Deolane passou as últimas semanas em Roma, na Itália, e chegou a ter o nome incluído na lista da Difusão Vermelha da Interpol antes de retornar ao Brasil na quarta-feira anterior à prisão.

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