Brasília, 15/06/2026

Trump vê acordo próximo, mas Irã diz que ainda tem pontos sensíveis em discussão

As negociações entre Estados Unidos e Irã para tentar encerrar a guerra no Oriente Médio avançaram nos últimos dias, mas ainda estão longe de uma conclusão definitiva. Apesar de declarações recentes do presidente Donald Trump sugerindo que um acordo poderia estar próximo, autoridades iranianas trataram de diminuir as expectativas e afirmaram que ainda existem diversos pontos sensíveis em discussão. As revelações são da repórter Yuliya Talmazan, da NBC News.

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou nesta segunda-feira que Washington continua apostando na diplomacia e que os EUA preferem alcançar “um bom acordo” em vez de aceitar uma solução precipitada. Segundo ele, existe atualmente uma proposta “sólida” sobre a mesa, mas o governo americano está disposto a explorar outras alternativas caso as negociações fracassem. Trump reforçou esse posicionamento ao declarar que o eventual acordo “será ótimo e significativo, ou não haverá acordo”.

As tratativas vêm acontecendo em meio a uma intensa movimentação diplomática internacional. Os principais negociadores iranianos, entre eles o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, e o chanceler Abbas Araghchi, chegaram a Doha, no Catar, país que passou a desempenhar papel central na mediação do conflito, ao lado do Paquistão. O objetivo é construir um memorando de entendimento que permita um cessar-fogo e abra caminho para um acordo de paz mais amplo.

Entre os principais temas em discussão estão a reabertura do Estreito de Ormuz — uma das rotas marítimas mais importantes do mundo para o transporte de petróleo — e as garantias exigidas pelos Estados Unidos de que o Irã não desenvolverá armas nucleares. Segundo autoridades americanas ouvidas pela NBC News, o possível acordo obrigaria Teerã a abandonar o enriquecimento avançado de urânio, chamado por Trump de “poeira nuclear”, enquanto novas negociações ocorreriam ao longo de um prazo de 60 dias para definir os detalhes técnicos e políticos do entendimento.

Em troca, os Estados Unidos poderiam suspender gradualmente o bloqueio naval e aliviar sanções econômicas que atingem duramente a economia iraniana. O acordo também incluiria medidas para desminagem e retomada segura da navegação no Estreito de Ormuz, cuja interrupção parcial provocou forte instabilidade nos mercados globais de energia nas últimas semanas.

Mesmo assim, o governo iraniano demonstrou cautela. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmail Baghaei, afirmou que houve avanços em várias áreas das negociações, mas ressaltou que isso não significa que um acordo esteja prestes a ser assinado. Segundo ele, o foco principal neste momento continua sendo o encerramento da guerra, e não necessariamente os detalhes do programa nuclear iraniano.

O cenário político nos Estados Unidos também adiciona pressão às negociações. Parlamentares republicanos mais conservadores criticaram a possibilidade de um acordo e alertaram que ele poderia representar um “erro desastroso”. Trump reagiu às críticas atacando opositores e defendendo que apenas sua administração seria capaz de alcançar uma solução eficaz para o conflito.

O prazo de 60 dias previsto na proposta pode prolongar o conflito até o segundo semestre, coincidindo com o período eleitoral americano e aumentando a pressão sobre Trump, já que parte do eleitorado republicano deseja uma solução rápida para uma guerra que vem afetando os índices de aprovação do partido.

Além da questão nuclear e da navegação marítima, o conflito regional também influencia diretamente as negociações. O Irã insiste que qualquer entendimento inclua o fim dos ataques israelenses no Líbano, onde Israel afirma combater o Hezbollah, grupo apoiado por Teerã. Segundo autoridades iranianas, o Líbano deverá ser incluído em qualquer memorando de entendimento final.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que concorda com Trump sobre a necessidade de eliminar completamente o risco nuclear iraniano. Em conversa telefônica realizada no sábado, os dois líderes também discutiram a situação no Líbano e o direito de Israel de continuar se defendendo contra ameaças regionais.

Enquanto as negociações seguem sem definição, os mercados financeiros reagiram positivamente à possibilidade de um acordo. Os preços internacionais do petróleo caíram mais de US$ 5 nesta segunda-feira, atingindo os menores níveis em duas semanas, impulsionados pelo otimismo de investidores em relação a uma possível redução das tensões no Oriente Médio.

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