Brasília, 04/06/2026

Pix e a soberania

Luiz Carlos Bordoni

A sugestão de Eduardo Bolsonaro para que o Brasil considere o Zelle, sistema de pagamentos utilizado nos Estados Unidos, como alternativa ao Pix reacendeu um debate interessante. Não apenas sobre tecnologia financeira, mas também sobre autoestima nacional.

Durante décadas, acostumamo-nos a olhar para fora em busca de soluções. Em muitos casos, isso fez sentido. Aprender com quem faz melhor é sinal de inteligência. O problema surge quando passamos a acreditar que tudo o que vem do exterior é automaticamente superior ao que produzimos aqui.

O Pix é uma das experiências mais bem-sucedidas da história recente do sistema financeiro brasileiro. Em poucos anos transformou hábitos de consumo, reduziu custos, facilitou a vida de pequenos comerciantes, ambulantes, profissionais autônomos e consumidores. Hoje movimenta bilhões de reais diariamente e se tornou referência internacional.

O Zelle também é eficiente dentro da realidade americana. Mas nasceu em outra estrutura, com outra legislação e outra lógica de mercado. É uma ferramenta privada, controlada por grandes bancos. O Pix é uma infraestrutura pública criada pelo Banco Central para integrar todo o sistema financeiro nacional.

A discussão, portanto, não deveria ser ideológica. Não é uma disputa entre direita e esquerda. É uma questão de eficiência. O que atende melhor o cidadão brasileiro? O que gera mais inclusão financeira? O que reduz custos para quem trabalha e produz?

Se amanhã surgir algo melhor que o Pix, brasileiro ou estrangeiro, que seja adotado. A inovação não tem pátria. Mas abandonar um sistema que funciona, apenas porque existe um similar americano, parece tão estranho quanto trocar um carro novo por outro usado apenas porque foi fabricado em outro país.

O Brasil nem sempre acerta. Mas quando acerta, precisa aprender a reconhecer seus próprios méritos. O Pix é um deles.

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