Luiz Carlos Bordoni
Durante muito tempo, o caso Banco Master foi tratado como mais um daqueles enredos em que a direita aparecia no centro das atenções. PP, PL, MDB, União Brasil e Republicanos surgiam nas reportagens, alimentando o discurso de que a promiscuidade entre política e interesses privados tinha endereço ideológico definido.
Mas eis que o roteiro ganhou novos personagens. Agora, o PT também se vê diante de um desconforto que conhece bem. O líder do governo no Senado, Jaques Wagner, passou a ser citado no noticiário, e o Palácio do Planalto avalia qual caminho seguir. Mantém o líder? Afasta preventivamente? Aguarda os fatos? Não há decisão simples quando a política encontra a suspeita.
É importante registrar um detalhe fundamental: suspeita não é prova. Acusação não é condenação. Num Estado de Direito, ninguém deve ser tratado como culpado antes que os fatos sejam apurados e o devido processo legal seja respeitado.
Mas a política possui uma característica peculiar. Ela vive tanto da realidade quanto da percepção. Ao cidadão comum, basta ser honesto. Ao homem público, não. Ao homem público também cabe parecer honesto.
A frase, atribuída a diversos pensadores ao longo da história, permanece atual porque sintetiza uma exigência inerente à vida pública. A confiança da população não é construída apenas por sentenças judiciais. Ela depende igualmente da imagem, da credibilidade e da coerência transmitidas por quem ocupa cargos de poder.
É por isso que governantes frequentemente afastam auxiliares mesmo antes da conclusão de investigações. Não se trata necessariamente de reconhecer culpa. Muitas vezes é apenas uma tentativa de preservar instituições e evitar que suspeitas contaminem a administração.
O episódio também revela outra verdade frequentemente ignorada pelos militantes mais apaixonados. A corrupção não tem partido. Não é monopólio da esquerda nem patrimônio da direita. Não usa camisa vermelha nem veste verde e amarelo.
Quando surgem oportunidades, tenta seduzir todos os lados do espectro político. Muda o discurso, muda o slogan, muda a bandeira. O comportamento, nem sempre.
Talvez por isso o velho latim continue tão atual: homines sunt ejusdem farinae. Os homens são feitos da mesma farinha. Mudam os governos, mudam os líderes, mudam os partidos. As tentações permanecem.
E é exatamente por isso que a vigilância da sociedade não pode ser seletiva. Quem cobra explicações dos adversários precisa aceitá-las dos aliados. Quem exige transparência do outro lado deve praticá-la dentro de casa.
No fim das contas, a credibilidade da política brasileira não será reconstruída pela vitória de uma corrente ideológica sobre outra. Será reconstruída quando todos compreenderem que ética não é bandeira de campanha. É obrigação permanente.

