Brasília, 24/06/2026

 TCE-RJ investiga aporte de R$ 90 milhões da Cedae no Banco Digimais

O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) instaurou um processo para apurar a aplicação de R$ 90 milhões realizada pela Cedae no Banco Digimais durante a gestão do ex-governador Cláudio Castro. A investigação ganhou relevância após o banco se tornar alvo de uma operação da Polícia Federal, que apura suspeitas de manipulação de demonstrativos contábeis para esconder a real situação financeira da instituição. Informações de Pedro Figueiredo, G1.

O processo foi determinado pelo conselheiro José Gomes Graciosa em novembro de 2025, por meio da abertura de uma inspeção especial. Entretanto, a apuração ainda se encontra na fase inicial, sob análise da presidência do TCE-RJ, que reúne documentos para dar continuidade às investigações.

Embora a Cedae tenha privatizado os serviços de distribuição de água e esgoto, a empresa permanece responsável pela captação e tratamento da água, continuando vinculada ao Governo do Estado do Rio de Janeiro. O investimento no Banco Digimais ocorreu em um momento em que o mercado já demonstrava preocupação com a saúde financeira da instituição, considerada semelhante à do Banco Master, por oferecer aplicações com elevados retornos financeiros.

O responsável pela operação foi o então diretor financeiro da Cedae, Antônio Carlos dos Santos, aliado político de Cláudio Castro. Ele confirmou que os recursos foram aplicados na modalidade DPGE (Depósito a Prazo com Garantia Especial), argumentando que esse tipo de investimento era previsto na política financeira da companhia e contava com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), reduzindo o risco de prejuízo.

Segundo o ex-diretor, dos R$ 90 milhões investidos, R$ 50 milhões já haviam sido resgatados ainda durante sua gestão, enquanto os R$ 40 milhões restantes permaneciam garantidos pelo FGC. Antônio Carlos também afirmou que, à época da aplicação, não recebeu qualquer alerta de órgãos de controle sobre eventuais riscos envolvendo o Banco Digimais.

A atual administração da Cedae informou que revisou sua política de investimentos, aprovada pelo Conselho de Administração em maio deste ano, tornando os critérios para aplicações financeiras mais rigorosos. A empresa revelou ainda que restam R$ 17 milhões aplicados no Banco Digimais, com vencimento previsto para esta quarta-feira (24). Após o resgate, os recursos deverão ser transferidos para instituições financeiras classificadas como Segmento S1 pelo Banco Central, grupo que reúne os maiores bancos do país e considerados de menor risco para investidores.

A investigação do TCE-RJ busca esclarecer se a aplicação observou os princípios de segurança e responsabilidade na gestão dos recursos públicos e se houve eventual falha na avaliação dos riscos financeiros da operação. Enquanto isso, a Polícia Federal continua apurando possíveis irregularidades na gestão do Banco Digimais, incluindo suspeitas de fraude contábil para ocultar sua situação econômico-financeira.

 

 

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