Brasília, 02/07/2026

Chapa Caiado-Kassab não tem apoio nos quatro maiores colégios eleitorais do país

A escolha do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, como candidato a vice-presidente na chapa encabeçada por Ronaldo Caiado (PSD) representa uma tentativa de fortalecer a candidatura do governador goiano à Presidência da República em 2026. No entanto, segundo informações do G1, a aliança nacional não será suficiente para unificar o partido nos principais colégios eleitorais do país.

Embora Kassab passe a integrar oficialmente a chapa presidencial, o PSD continuará dividido nos Estados, em razão de acordos políticos já firmados para as eleições estaduais e presidenciais. A situação evidencia a dificuldade de conciliar os interesses nacionais com as alianças regionais, uma característica comum da política brasileira.

O principal desafio está nos quatro maiores colégios eleitorais do país: São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia. Nesses Estados, o PSD seguirá apoiando projetos políticos diferentes do encabeçado por Caiado.

Em São Paulo, que reúne mais de 31 milhões de eleitores, o PSD mantém compromisso com a reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Tarcísio já declarou apoio à candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL), o que impede que Caiado tenha o respaldo do governador paulista durante a campanha.

Após o lançamento da chapa em Brasília, Kassab descartou qualquer possibilidade de mudança nesse cenário. Segundo ele, o eleitor encontrará nas campanhas paulistas a combinação “Ronaldo Caiado para presidente” e “Tarcísio para governador”, mas ressaltou que Tarcísio permanecerá ao lado de Jair Bolsonaro e de seu candidato ao Palácio do Planalto.

Em Minas Gerais, o quadro também não favorece Caiado. O governador Mateus Simões, filiado ao PSD, apoia a candidatura presidencial do ex-governador Romeu Zema (Novo), de quem foi vice antes de assumir o comando do Estado. Nos bastidores chegou a ser discutida uma eventual composição entre Caiado e Zema, mas as negociações não avançaram.

Kassab afirmou que mantém boa relação com Zema, porém explicou que o Novo decidiu manter candidatura própria à Presidência, inviabilizando qualquer entendimento para uma chapa conjunta.

No Rio de Janeiro, terceiro maior colégio eleitoral do Brasil, o PSD terá como candidato ao governo o ex-prefeito Eduardo Paes. Assim como ocorreu nas eleições de 2022, Paes deverá apoiar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa presidencial, e não Ronaldo Caiado.

Mesmo assim, Kassab afirmou que Caiado continuará apoiando a candidatura de Eduardo Paes ao governo fluminense, defendendo que as campanhas estaduais e nacionais podem conviver com diferentes posicionamentos políticos.

Na Bahia, quarto maior eleitorado brasileiro, o PSD permanecerá totalmente alinhado ao PT. O partido apoiará a candidatura de Lula à reeleição, além da chapa estadual liderada pelo governador Jerônimo Rodrigues, que tentará permanecer no cargo. Também fazem parte da aliança petista os senadores Rui Costa e Jaques Wagner.

Apesar desse alinhamento regional, o líder do PSD na Câmara dos Deputados, Antônio Brito (BA), participou do evento em Brasília que oficializou Kassab como vice de Caiado, demonstrando que a direção nacional busca preservar a unidade partidária mesmo diante das divergências estaduais.

A estratégia da campanha de Caiado é aproveitar a estrutura nacional do PSD, partido que possui uma das maiores redes de prefeitos, vice-prefeitos e vereadores do país, sem exigir que todas as lideranças estaduais rompam compromissos já assumidos.

Kassab reconheceu que a realidade eleitoral varia de Estado para Estado e afirmou que a campanha presidencial será conduzida com sensibilidade para respeitar as alianças regionais já consolidadas.

O cenário revela que, apesar da formação da chapa entre Caiado e Kassab, o PSD continuará dividido em importantes Estados brasileiros, com lideranças apoiando diferentes candidatos à Presidência da República. A situação demonstra a complexidade das articulações políticas para as eleições de 2026 e reforça o peso dos acordos estaduais na definição das estratégias dos partidos.

 

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