Brasília, 06/07/2026

Novo apagão nacional agrava crise energética e humanitária em Cuba

Cuba voltou a enfrentar um apagão de grandes proporções nesta segunda-feira, quando todo o sistema elétrico nacional entrou em colapso pela terceira vez desde o início de 2026. De acordo com informações do The Guardian, a estatal União Elétrica (UNE) informou que houve uma “desconexão total” da rede de geração de energia e que técnicos trabalham para identificar as causas da falha.

A interrupção do fornecimento ocorre em meio ao agravamento da crise energética da ilha. Antes mesmo do endurecimento das restrições impostas pelos Estados Unidos, Cuba já enfrentava sérias dificuldades para manter suas usinas em operação devido à escassez de combustível e à deterioração da infraestrutura elétrica. A situação piorou após o governo do presidente Donald Trump ampliar as restrições ao envio de petróleo para o país em janeiro, reduzindo ainda mais o abastecimento necessário para a geração de energia.

Segundo o The Guardian, este foi o oitavo apagão nacional registrado desde o fim de 2024 em Cuba, país com cerca de 9,6 milhões de habitantes. Para preservar os limitados estoques de combustível, o governo cubano intensificou os racionamentos de eletricidade, que já chegam a ultrapassar 24 horas consecutivas em partes de Havana e mais de 70 horas em algumas regiões do interior.

Os frequentes cortes de energia refletem o estado crítico do sistema elétrico cubano, baseado principalmente em antigas usinas termoelétricas construídas durante a era soviética e que hoje operam com graves problemas de manutenção e baixa capacidade operacional.

Ainda conforme o jornal britânico, autoridades cubanas atribuem o agravamento da crise ao bloqueio do fornecimento de combustíveis, afirmando que a falta de diesel e óleo combustível impede o funcionamento dos geradores responsáveis por sustentar a rede nacional. Desde o início das novas restrições americanas, apenas um navio petroleiro procedente da Rússia recebeu autorização para descarregar combustível na ilha.

O The Guardian destaca ainda que as limitações no abastecimento de petróleo se somam ao conjunto de sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos, aprofundando a crise econômica enfrentada pelo país. A escassez de alimentos, medicamentos e água potável tornou-se mais severa, levando organismos internacionais, incluindo a Organização das Nações Unidas (ONU), a alertarem para o agravamento da situação humanitária em Cuba.

Na tentativa de reduzir a dependência dos combustíveis fósseis, o governo cubano acelerou investimentos em usinas de energia solar. Apesar da expansão do setor, essa fonte renovável ainda responde por aproximadamente 10% da matriz elétrica nacional, percentual considerado insuficiente para compensar os problemas estruturais do sistema de geração de energia.

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