A guerra entre Estados Unidos e Irã ganhou um novo capítulo nesta sexta-feira (24), com o lançamento de uma ofensiva iraniana contra instalações militares americanas no Bahrein e na Jordânia. Segundo comunicado divulgado pelas Forças Armadas da República Islâmica e reproduzido pela agência EFE, drones de ataque atingiram depósitos de combustível, hangares de equipamentos militares, oficinas de manutenção de aeronaves e alojamentos de tropas nas bases de Sheikh Isa, no Bahrein, e Al Azraq, na Jordânia.
Teerã classificou a operação como uma resposta direta aos recentes bombardeios americanos contra seu território e advertiu que qualquer ação contra os interesses “legítimos e legais” do país terá consequências para a segurança e os interesses econômicos dos aliados dos Estados Unidos na região.
Segundo informações da Reuters, a Casa Branca mantém a justificativa de que a campanha militar tem como objetivo reduzir a capacidade operacional da Guarda Revolucionária Iraniana e assegurar a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo. Washington acusa o Irã de promover ataques contra embarcações comerciais e petroleiros na região.
Conforme relatos publicados pela Folha de S.Paulo, nos últimos dias o conflito ultrapassou o território iraniano e passou a envolver diretamente países do Golfo Pérsico que mantêm cooperação militar com os Estados Unidos. Além do Bahrein e da Jordânia, o Irã também realizou ataques contra instalações ligadas às forças americanas no Kuwait, ampliando o risco de uma guerra regional de maiores proporções.
O governo iraniano informou que o número de mortos em seu território desde a retomada da ofensiva americana chegou a 55. Até o momento, segundo a Reuters, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos não divulgou um balanço oficial sobre possíveis vítimas ou danos provocados pelos ataques desta sexta-feira.
Aviação e comércio
A escalada militar também começa a produzir reflexos na economia internacional. A Reuters informou que diversas companhias aéreas mantiveram ou ampliaram a suspensão de voos para países do Golfo. A Agência Europeia para a Segurança da Aviação (EASA) renovou o alerta para que aeronaves evitem sobrevoar áreas consideradas de alto risco, incluindo Jordânia, Bahrein, Kuwait, Catar, Emirados Árabes Unidos e o Golfo de Omã.
A Qatar Airways, por sua vez, confirmou a manutenção da suspensão de voos para alguns destinos da região até o fim de julho, medida adotada em razão do agravamento da crise, segundo informações divulgadas pela EFE.
Comunidade internacional
Governos europeus, países árabes e organismos internacionais seguem acompanhando a evolução da crise com crescente preocupação. Analistas ouvidos pela Reuters avaliam que, caso novos ataques atinjam bases militares americanas ou provoquem elevado número de vítimas, aumenta significativamente o risco de uma resposta militar ainda mais ampla dos Estados Unidos, elevando a possibilidade de uma guerra regional.
Enquanto isso, o mercado internacional permanece atento aos desdobramentos no Estreito de Ormuz, considerado um dos principais corredores de exportação de petróleo do planeta. Especialistas consultados pela Reuters afirmam que uma interrupção prolongada do tráfego marítimo na região poderá provocar nova alta nos preços do petróleo e aumentar as pressões sobre a economia mundial.

