Brasília, 30/07/2026

Julgamento de contas de Ibaneis racha corte do DF e presidente cita demora

O julgamento das contas de 2025 da gestão do então governador Ibaneis Rocha (MDB) rachou o TCDF (Tribunal de Contas do Distrito Federal). Em ofício obtido pela CNN Brasil, o presidente da corte, Manoel Andrade, cobra do relator do caso, Paulo Tadeu, celeridade para analisar o tema. Informações de Matheus Teixeira, CNN Brasil.

A área técnica do tribunal aponta dificuldades em aprovar as contas do governo da capital, que vive uma crise financeira após o rombo aberto no BRB devido à tentativa de compra do Banco Master, que foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central.

“Ao desdobrarmos o primeiro semestre do ano em curso, cumpro o dever de dirigir-me a vossa excelência para externar minhas profundas preocupações com a demora na avaliação e emissão do parecer prévio, pela Corte de Contas Distrital, das Contas Anuais do Governo do Distrito Federal relativas ao exercício de 2025”, diz o documento.

Andrade afirma que o atraso na publicação do balanço do BRB não é motivo para atrasar o julgamento, mas sim cenário que exige “pronta e tempestiva atuação do controle externo”.

“Ciente do elevado zelo que vossa excelência nutre pela coisa pública e cônscio de que, parodiando o grande Rui Barbosa, o julgamento tardio confronta o direito e a moralidade, levo ao descortino de Vossa Excelências estas ponderações”, afirma o presidente do TCDF.

A controvérsia entre os conselheiros diz respeito ao momento do julgamento. De um lado, uma ala afirma que os resultados do banco poderiam influenciar na análise das contas do DF, enquanto o presidente afirma que não seria correto dar ao BRB o poder de definir a data da análise do caso, uma vez que ainda não há sinalização sobre a data da divulgação do balanço da instituição.

Internamente, há uma avaliação de que o movimento para postergar o julgamento beneficiaria Ibaneis e a sucessora, Celina Leão (PP), que é candidata à reeleição, uma vez que não enfrentariam o desgaste de eventualmente ter as contas reprovadas em meio às eleições. Também pouparia a Câmara Legislativa, que dá a palavra final sobre as contas do governo e não precisaria votar o caso às vésperas do pleito.

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