247 – O presidente-eleito da Colômbia, Abelardo de la Espriella, toma posse nesta sexta-feira (7) em um ato inédito programado para um centro de eventos na cidade de Cáli. Rompendo com mais de dois séculos de tradição, o ato não será realizado na Plaza de Bolívar ou no Congresso, no centro histórico da capital. O evento não contará com a presença do presidente cessante, Gustavo Petro, nem do ex-presidente Ernesto Samper, informaram agências internacionais de notícias.
Representando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, chegou a Cali para participar da cerimônia. No Palácio do Planalto, a avaliação sobre o novo governo é de cautela. Interlocutores em Brasília indicam que será necessário aguardar os primeiros movimentos de De La Espriella, mas as sinalizações apontam que a Colômbia pretende manter uma relação pragmática com o Brasil.
De la Espriella anunciou que não governará exclusivamente a partir de Bogotá e que está adequando uma sede alternativa da presidência em Barranquilla, sua cidade de residência. Ele justificou a decisão afirmando que aposta na descentralização do país, historicamente baseado no centralismo há 200 anos, o que pode fazer com que a capital perca seu protagonismo histórico como símbolo da presidência.
A transição ocorre em meio a forte alerta de segurança. As autoridades colombianas mantêm uma ampla operação em Cáli após receberem advertências sobre uma suposta ameaça de ataque. Na quarta-feira (4), a polícia afirmou que interceptou um ônibus-bomba carregado com 420 quilos de nitrato de amônio que tinha como provável destino a cidade da posse.
Movimentos populares veem o novo governo com preocupação e alertam para possíveis violações de direitos humanos devido a promessas de campanha polêmicas do presidente-eleito. Em seus últimos dias de mandato, o presidente cessante, Gustavo Petro, convocou indígenas e camponeses a formarem guardas libertadoras — milícias populares voltadas à defesa contra eventuais excessos das forças de segurança durante a gestão de Abelardo de la Espriella. Ele rejeitou os resultados oficiais.
O Conselho Nacional Eleitoral da Colômbia declarou oficialmente Abelardo de la Espriella presidente-eleito do país após o segundo turno das eleições, realizado em 21 de junho.
Segundo os resultados finais oficiais, De la Espriella, que concorreu pelo movimento Defensores da Pátria, recebeu 12.960.166 votos. Seu adversário, Iván Cepeda, candidato à Presidência pelo partido governista de esquerda Pacto Histórico, recebeu 12.708.312 votos. O total de votos foi de 26.344.960. O conselho também declarou José Manuel Restrepo, que concorreu na chapa de De la Espriella, vice-presidente-eleito da Colômbia.
