O ex-presidente da Síria Bashar al-Assad e seu irmão, Maher al-Assad, foram condenados à morte à revelia por um tribunal sírio, acusados de crimes contra a humanidade cometidos durante os anos de repressão e guerra civil no país. A decisão representa uma das medidas mais duras tomadas contra integrantes do antigo regime desde a queda de Assad, em dezembro de 2024.
A condenação foi divulgada pelo jornal britânico The Guardian, que relata que Bashar e Maher foram responsabilizados por assassinatos, tortura, prisões arbitrárias e outros abusos praticados contra opositores do regime. Os dois não participaram do julgamento porque deixaram a Síria após a queda do governo e atualmente estão na Rússia.
Bashar al-Assad comandou a Síria por quase 25 anos, sucedendo seu pai, Hafez al-Assad, que governou o país por quase três décadas. A repressão iniciada em 2011 contra manifestações populares transformou-se em uma guerra civil que provocou centenas de milhares de mortes e obrigou milhões de sírios a deixar suas casas.
Maher al-Assad, irmão mais novo de Bashar, ocupava uma posição de destaque na estrutura militar do regime e era apontado como um dos principais responsáveis pelas operações de repressão. Sua unidade, a 4ª Divisão Blindada, teve participação em ações contra áreas controladas pela oposição.
A decisão também atingiu Atef Najib, primo de Bashar e ex-chefe da segurança política em Daraa. Ele foi condenado à morte e estava preso na Síria. A cidade foi o ponto de partida da revolta de 2011, depois que adolescentes foram presos e torturados por escreverem mensagens contra o governo.
Para as famílias das vítimas, a condenação tem um forte significado simbólico, embora a execução das penas seja considerada improvável enquanto Bashar e Maher permanecerem na Rússia. O julgamento faz parte do esforço das novas autoridades sírias para responsabilizar integrantes do antigo regime pelos crimes cometidos durante o conflito.
A queda de Assad encerrou mais de cinco décadas de domínio da família sobre a Síria. Agora, a condenação de seus principais integrantes abre uma nova etapa na tentativa de fazer justiça às vítimas de um dos conflitos mais sangrentos do Oriente Médio nas últimas décadas.
