Brasília, 19/08/2026

Flávio Bolsonaro assume o papel de novo líder da direita brasileira, diz Wall Street Journal

O senador Flávio Bolsonaro surge como o novo principal rosto da direita brasileira, tentando ocupar o espaço político deixado pelo pai, Jair Bolsonaro, que cumpre pena de 27 anos por envolvimento em uma tentativa de golpe de Estado. A avaliação é da jornalista Samantha Pearson, em reportagem publicada pelo Wall Street Journal.

Segundo o jornal americano, Flávio iniciou oficialmente sua campanha para a Presidência em um ato na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, apresentando-se como herdeiro político do pai, mas procurando, ao mesmo tempo, construir uma imagem mais moderada e conciliadora para conquistar eleitores de centro.

O Wall Street Journal destaca que Flávio começa a disputa em situação competitiva. Pesquisa Quaest citada pela reportagem aponta Lula com 43% e Flávio com 40% em um eventual segundo turno. Apesar da proximidade, o senador enfrenta um índice elevado de rejeição: 54% dos eleitores dizem que não votariam nele.

A reportagem também ressalta a importância do apoio de Donald Trump. Para o WSJ, uma eventual vitória de Flávio colocaria o Brasil ao lado de outros governos latino-americanos que se aproximaram da direita e fortaleceria a estratégia de Trump de ampliar a influência americana no continente.

Flávio mantém várias das principais bandeiras do bolsonarismo, como o discurso de endurecimento contra a criminalidade, o conservadorismo nos costumes, a defesa de cortes de gastos e privatizações e críticas ao Supremo Tribunal Federal. Também promete trabalhar pela libertação do pai.

Ao mesmo tempo, sua campanha tenta explorar uma diferença em relação a Jair Bolsonaro: a capacidade de negociação e de formação de alianças políticas. Aliados ouvidos pelo Wall Street Journal avaliam que o estilo mais calmo de Flávio pode ajudá-lo a avançar sobre o eleitorado moderado que tradicionalmente rejeita o ex-presidente.

O senador, porém, carrega problemas próprios. O jornal lembra as controvérsias envolvendo sua carreira política e cita o caso do Banco Master, depois que Flávio admitiu ter procurado o controlador do banco em busca de milhões de reais para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro. Ele nega ter cometido irregularidades.

Para o Wall Street Journal, o principal desafio de Flávio não está entre os eleitores mais fiéis ao bolsonarismo, mas justamente no centro político. O candidato precisa preservar a força do sobrenome Bolsonaro sem repetir o grau de rejeição provocado pelo estilo confrontador do pai.

A reportagem conclui que a eleição brasileira será acompanhada de perto por Washington. Uma vitória de Flávio representaria, na avaliação do jornal, uma importante mudança no cenário político latino-americano e daria a Trump um novo aliado de peso na região.

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