A Polícia Federal levou mais de sete meses para encaminhar ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), os dados obtidos com as quebras de sigilo fiscal, bancário e telemático de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A demora contribuiu para aumentar a tensão entre o ministro e a cúpula da corporação.
Segundo a CNN Brasil, Mendonça havia autorizado as quebras de sigilo em dezembro do ano passado, no âmbito das investigações sobre desvios envolvendo aposentados e pensionistas do INSS. Diante da demora no envio das informações e de outras divergências com a condução das investigações pela PF, o ministro determinou que a corporação encaminhasse ao seu gabinete a íntegra dos dados obtidos.
A ordem provocou reação dentro da Polícia Federal, que considerou a medida uma interferência em sua autonomia investigativa. A corporação chegou a procurar a Advocacia-Geral da União (AGU) para avaliar a possibilidade de recorrer ao próprio STF contra a determinação, mas nenhuma medida judicial foi apresentada. Integrantes do governo, entre eles o advogado-geral da União, Jorge Messias, atuaram para reduzir o atrito entre Mendonça e a direção da PF.
As investigações envolvendo Lulinha concentram-se também nas relações do filho do presidente com a empresária Roberta Luchsinger e com Marco Antônio Ribeiro, ex-chefe de gabinete de Lula. De acordo com a CNN Brasil, a PF apura a suspeita de que Lulinha possa ter auxiliado Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, na obtenção de contratos com o governo federal.
Uma das linhas de investigação examina uma possível articulação para a compra de medicamentos à base de cannabis sem licitação. Os investigadores localizaram uma conversa na qual Luchsinger teria enviado a Ribeiro um modelo de contrato relacionado ao Ministério da Saúde.
A PF encontrou ainda uma mensagem indicando que a empresária teria comprado para Ribeiro joias de diamante avaliadas em R$ 9,2 mil. O episódio integra um dos três inquéritos em tramitação no STF que têm Lulinha entre os investigados e apuram suspeitas de corrupção e tráfico de influência.
Até o momento, as informações mencionadas fazem parte de linhas de investigação e suspeitas sob apuração, não representando conclusão sobre responsabilidade criminal dos envolvidos.



