Brasília, 22/08/2026

Perito do caso “Dark Horse” desmente Flávio Bolsonaro

O perito responsável pelo laudo usado por Flávio Bolsonaro para sustentar que os recursos destinados ao filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro, estavam devidamente explicados reconheceu que o trabalho não esclareceu pontos importantes sobre o caminho do dinheiro. Segundo reportagem da Revista Fórum, assinada pelo jornalista Diego Feijó de Abreu, a perícia não verificou se os valores pagos pela produção estavam de acordo com os preços praticados pelo mercado cinematográfico nem acompanhou o destino dos recursos depois que chegaram às empresas contratadas.

Flávio havia afirmado na quinta-feira (20) que a prestação de contas do filme estava feita e que, de sua parte, o episódio era “página virada”. A declaração se apoiava em uma perícia privada elaborada a pedido da defesa de Karina Ferreira da Gama, responsável pela GoUp Entertainment, produtora de “Dark Horse”.

Em entrevista ao jornalista Paulo Motoryn, porém, o perito Anísio Costa Castelo Branco, presidente do Instituto de Perícia Investigativa, explicou os limites do levantamento. De acordo com a Fórum, Castelo Branco afirmou que conseguiu identificar pagamentos realizados pela produção, mas não rastreou o que ocorreu com o dinheiro depois que os recursos chegaram aos fornecedores.

Isso significa que o laudo não permite determinar, por si só, se valores recebidos pelas empresas contratadas foram posteriormente transferidos para terceiros. Segundo o perito, uma investigação dessa etapa exigiria examinar as empresas beneficiárias dos pagamentos e seus respectivos prestadores de serviços.

Outro ponto destacado pela reportagem é que a perícia não avaliou se os custos apresentados para a realização de “Dark Horse” eram compatíveis com os preços normalmente praticados no setor audiovisual. Castelo Branco afirmou que esse tipo de comparação não fazia parte do trabalho realizado.

A perícia teria se concentrado na identificação de transferências, no levantamento de despesas nacionais e internacionais e na eventual presença de recursos públicos. Assim, embora apresente registros de pagamentos atribuídos à produção, o documento não permite concluir se os serviços foram contratados por valores considerados normais para uma produção cinematográfica semelhante.

Segundo a Fórum, Castelo Branco também informou possuir registros de transferências realizadas pelo Havengate Development LP, fundo sediado no Texas, para a GoUp Entertainment. O perito disse que a maior parte — possivelmente quase a totalidade — dos recursos identificados como utilizados no filme teria vindo do Havengate.

A reportagem acrescenta que a Polícia Federal solicitou novas informações sobre “Dark Horse”. De acordo com Castelo Branco, a PF pediu dados mais detalhados relacionados a transferências, despesas operacionais e custos da produção. O perito afirmou ainda possuir informações que não foram individualizadas no laudo divulgado, entre elas dados sobre pessoas e empresas que receberam pagamentos.

Dessa forma, a afirmação de Flávio Bolsonaro de que a prestação de contas encerrou as dúvidas sobre os recursos destinados ao filme é contraposta pelos próprios limites reconhecidos pelo responsável pela perícia. Conforme a apuração da Revista Fórum, permanecem questões sobre o destino final de parte do dinheiro e sobre a compatibilidade dos gastos apresentados com os valores praticados pelo mercado, enquanto a Polícia Federal busca informações adicionais sobre as movimentações financeiras relacionadas à produção.

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